Guilherme Figueira venceu 16.ª Regata de Canoas Tradicionais da Madeira

Associação de Canoagem quer aumentar circuito regional com provas em Machico ou Caniçal a Câmara de Lobos

14 Jul 2019 / 14:45 H.

A embarcação ‘Guilherme Figueira’, com Miguel Figueira, Luís Belo e César Barbeiro a bordo, foi a primeira a cortar a meta na 16.ª Regata de Canoas Tradicionais da Madeira, prova que decorreu ao início da tarde de hoje entre o Cais de São Lázaro e a Barreirinha, num percurso de cerca de 2,5 quilómetros. Os canoístas fizerem ida e volta num tempo de 20 minutos e 18 segundos, tendo sido seguidos na chegada pela embarcação ‘Lima’, que fez 0:20.56. Em terceiro ficou a ‘Bernardete’, com 0:21.44’. Este ano participaram 25 embarcações, a última chegou à meta com 0:53.27.

A prova é umas das que integram o Circuito Regional de Canoas, que é constituído por quatro regatas. O objectivo da organização é aumentar o número de provas com a inclusão de provas em Machico ou Caniçal e Câmara de Lobos, revelou Viriato Tinoto, presidente da Associação Regional de Canoagem da Madeira, que com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, Associação da Madeira Desporto para Todos, Direcção Regional de Turismo, Direcção Regional de Juventude e Capitania do Porto do Funchal promoveu a prova. “Nos pretendemos dinamizar cada vez mais a divulgação de forma a que haja mais participantes”, assumiu o presidente da organização. “Há uma ou duas localidades que continuamos a querer, já este ano aconteceu a título experimental realizar em Machico um evento dessa natureza, nós queremos realizar esse evento, se nos convidarem, como é óbvio, no Caniçal ou em Machico e também em Câmara de Lobos seria interessante, porque são zonas com tradição nesta área.

A par da classificação geral foram apurados os vencedores nas três categorias. Na categoria A, canoas tradicionais de madeira com comprimento superior a 4 metros venceu a embarcação ‘Lima’; na categoria B, para canoas de madeira com comprimento inferior ou igual a 4 metros venceu a embarcação ‘Loba’; e na categoria C, que contempla embarcações modificadas, mas que mantenham os traços das canoas tradicionais ficou a ‘Guilherme Figueira’. Foi premiada ainda Cecília Camacho, a única equipa feminina da prova, com uma embarcação que formalmente não tem nome, mas que chama de ‘Pequena Sofia’.

Cecília tem 58 anos, anda na canoagem há uns seis anos. Este ano já fez provas no Paul do Mar e em Machico. Prepara-se para ir à da Madalena do Mar e Porto Moniz e entra também nas provas de águas abertas de natação. Começou na canoagem pelas mãos de Virgínia Jardim. “Tinha uma canoa e incentivou-me a vir ao mar”.

Virgínia Jardim costuma participar na prova, este ano ficou só a apoiar em terra porque foi operada à coluna e não pode fazer esforços. Entra normalmente porque se diverte, contou, e está pronta para em 2020 voltar ao mar. “No porto Moniz já chegámos à frente de muitos homens”, contou, com orgulho. Ontem o filho ficou em primeiro, o marido ficou em terceiro. “Isto é um convívio familiar que a gente tem”.

“Foi um bom tempo”, disse Miguel Figueira, que subiu ao pódio pela terceira vez. “Já sabíamos que ia ser bastante difícil porque há três, quatro canoas, principalmente a do Porto Moniz [‘Lima’], que é um desafio sempre, mas sempre aqui com fair play à mistura, claro.”

A embarcação só sai para as provas, que são pontos de encontro e de convívio para os canoístas.

No caso da ‘Guilherme Figueira’, o prémio de 250 euros é para dividir pelos que estiveram a bordo. Foram entregues ainda os prémios de 100 euros e de 60 euros para os segundo e terceiro classificados.

Viriato Tinoto pretende aliar a tradição com a prática náutica ao promover esta prova. Nestes 16 a prova tem vindo a perder fulgor.” Já tivemos cerca de cem embarcações a participar, neste momento tem sofrido algum decréscimo, penso que tem a ver também com o investimento que os donos, os proprietários das embarcações têm de fazer, não só para ter locais próprios para armazenas as suas canoas, como para as manter. E depois todo o processo de licenciamento que é exigido. É um processo bastante burocrático e de uma certa forma dispendioso”.

Para aligeirar a vida dos canoístas, a Associação Regional de Canoagem da Madeira entrega um prémio de 60 euros a todas as embarcações que chegam ao fim da prova.

É um evento de carácter lúdico-desportivo que visa também promover o convívio entre as populações das várias localidades que têm tradições nesta matéria e ao mesmo tempo promover um convívio intergeracional no sentido dos avós passarem para filhos e netos o que era a tradição.

A prova é feita apenas a remos. A primeira prova do percurso foi a prova do Paul do Mar no passado dia 30 de Junho. Hoje realizou-se a do Funchal. Na próxima semana, no domingo, será a vez da prova da Madalena do Mar. O circuito culmina com a prova da Semana do Mar, no Porto Moniz.

O presidente da Associação de canoagem acredita que a Madeira tem mais de uma centena de canoas tradicionais.

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