Núcleo Museológico ‘O Lyceu’ apresenta exposição sobre o ensino no Liceu de 1942 a 1960

19 Set 2019 / 09:17 H.

A Escola Secundária Jaime Moniz, através do seu Núcleo Museológico, apresenta à comunidade educativa uma exposição temporária, intitulada ‘O ensino no Liceu de 1942 a 1960 – Testemunhos do património material’, que ficará patente até ao final do mês de Dezembro.

Recorde-se que a ideia da criação do Núcleo Museológico Escolar ‘O Lyceu’ surgiu da necessidade de reunir, preservar e dar a conhecer o legado da escola, ao longo da sua existência, refere a Escola, frisando que este projecto ganhou forma com a candidatura ao Orçamento Participativo da Câmara Municipal do Funchal de 2014/15, tendo sido um dos projectos vencedores.

Assim, o Núcleo Museológico ‘O Lyceu’ ocupa um espaço “nobre”, designado “Largo do Museu”, um átrio espaçoso numa concepção modernista arquitectónica da autoria de Edmundo Tavares para valorizar, preservar e divulgar o património histórico do ensino e da educação desta instituição, criada em 1837.

A escola explica, através de comunicado, que a exposição permanente do Núcleo Museológico encontra-se em processo de construção, sendo o seu maior acervo constituído por objectos de diversa natureza e em diversos suportes, utilizados para o ensino/aprendizagem das Ciências Naturais e das Ciências Físico-Químicas, mas também de outras áreas disciplinares ou relacionadas com outras funções administrativas e técnicas da Escola.

“Passados 77 anos desde as primeiras aulas no actual edifício do ‘Liceu’, em 1942, o objectivo do Núcleo Museológico é divulgar alguns dos materiais do património escolar, ligados à história desta instituição, revelando algumas características que definiram a instrução pública de nível liceal na época do Estado Novo”, refere a mesma nota, recordando que a 8 de Outubro de 1942, as aulas começaram a funcionar no novo edifício, no Largo de Jaime Moniz, com 313 alunos (217 rapazes e 96 raparigas), e ainda com muitas obras em curso. Os trabalhos ficaram concluídos em 1946, ano em que se inaugurou oficialmente as novas instalações, a 28 de Maio, data comemorada anualmente, para assinalar a revolução militar de 28 de Maio de 1926, que pôs termo à Primeira República Portuguesa e que instaurou a ditadura militar que abriu caminho para o regime do Estado Novo (1933-1974).

A história, por detrás dos objectos, agora expostos, está “inevitavelmente e naturalmente ligada ao contexto histórico da época do Estado Novo, em que os mesmos foram produzidos e utilizados, podendo contribuir para o conhecimento de uma época que marcou a história de Portugal”, frisa a direcção da Jaime Moniz, destacando o contexto ideológico e político em que se desenvolveram as políticas educativas, subordinadas aos fins políticos e ideológicos do Estado Novo: “uma primeira fase, desde 1933 a 1947, que, consolidou o regime, o seu carácter autoritário e repressivo, com a publicação da lei de 1936 que instituiu a Educação Nacional, a par de algumas das instituições que eram parte integrante do sistema tais como a Mocidade Portuguesa Masculina e Feminina, a Legião e o partido único, a União Nacional”.

Numa segunda fase , de 1947 a 1960, assistiu-se ao “início de um processo de adaptação, quer do regime do Estado Novo, salazarista, e do sistema educativo, às realidades sociais e económicas do pós segunda guerra Mundial, tendo sido feita a reforma do ensino liceal e do ensino técnico, que procurou acompanhar a aparente abertura do regime face à queda dos regimes totalitários que inspiraram a ideologia salazarista e ao aparelho do Estado Novo”, refere.

No processo de pesquisa, estudo e inventariação de peças de valor museológico existentes na escola, ainda a decorrer, a equipa multidisciplinar do núcleo museológico reuniu peças da época supracitada e procurou recriar, dentro dos recursos disponíveis, cinco grupos temáticos no âmbito da temática geral da exposição:

- ao centro uma reconstituição parcial de uma sala de aula do ensino liceal, com um conjunto de exemplares das carteiras dos alunos, secretária do professor, estrado, quadro e a cruz e o mapa do Imperio colonial que, de algum modo congregavam uma das máximas do regime “Deus, Pátria e Família”;

- um segundo grupo temático ladeia a sala e reúne alguns objectos da Mocidade Portuguesa Feminina e Masculina, cujo centro funcionava no Liceu, dando nota de actividades, objectos e símbolos relacionados, acompanhados de uma contextualização histórica dessas organizações de juventude e de enquadramento ideológico do Estado Novo.

- um terceiro grupo temático, do lado direito da sala, , também com o devido enquadramento histórico, reúne objectos do gabinete médico escolar e da cantina que tinham um papel relevante no funcionamento do Liceu, visando, entre outros objectivos, exercer uma acção de controlo do estado sanitário dos alunos, bem como assegurar a alimentação de muitos dos que frequentavam o Liceu, desde alunos mais carenciados, a funcionários e professores com diversa tipologia de “menus” e preços, e que funcionava em articulação e supervisão da Mocidade Portuguesa.

- um quarto grupo temático, apresenta alguns objectos e fotografias da época, relacionadas com as áreas das ciências físicas e ciências naturais, numa aproximação, ainda que parcial às práticas didácticas da época de acordo, e em articulação com os programas oficiais e com os respectivos manuais.

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