Casa das Histórias Paula Rego recebeu 630 mil visitantes em 10 anos

15 Set 2019 / 04:07 H.

A Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, recebeu 630 mil visitantes desde a abertura do museu, há dez anos, feita para acolher um acervo com pintura, desenho e gravura, que reflete o percurso criativo da artista durante 50 anos.

Contactada pela agência Lusa, fonte do museu indicou que o aniversário da abertura - a 18 de setembro - será assinalado no fim de semana de 21 e 22 seguinte, com atividades preparadas pelo Serviço Cultural e Educativo do Bairro dos Museus, integradas numa “programação especial”.

Nesse fim de semana, no sábado, às 15:00, e no domingo, às 11:00, decorrerá a iniciativa “Conta-me Histórias - Por 10 Anos com Histórias...”, para crianças com mais de quatro anos, em que várias personagens criadas por Paula Rego são recuperadas, às 10:30, e reinventadas.

No sábado também decorrerá a Oficina de Gravura III, que acontece a par da exposição dedicada à obra gráfica de Paula Rego, “Olhar para dentro”, para explorar diversas técnicas usadas pela artista na criação da sua obra gráfica, num programa para diversos públicos.

A Casa das Histórias Paula Rego - inaugurada em setembro de 2009 - alberga uma coleção composta por 620 obras, com o objetivo de preservar e divulgar a obra da artista portuguesa radicada em Londres, no Reino Unido, onde vive e trabalha.

Esta coleção é constituída por pintura, desenho e gravura, reflete o seu percurso artístico, de cerca de 50 anos, e inclui também obras do seu marido, o artista britânico Victor Willing (1928-1988).

A coleção integra ainda uma obra têxtil de grandes dimensões, e parte do seu acervo documental.

Durante o período de dez anos de existência do museu, “a coleção tem vindo a ser alvo de uma excecional internacionalização devido a itinerância de muitas das obras em museus artísticos de referência”, nomeadamente, a Pinacoteca de S. Paulo, no Brasil, o Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, no México, e a House of Illustration, em Londres, no Reino Unido.

O estabelecimento do acervo deve-se à doação de Paula Rego da totalidade da sua obra gravada, que ascende a 267 exemplares, a que se junta um conjunto inédito de 273 desenhos.

A título de empréstimo, Paula Rego cedeu à Casa das Histórias recentemente 28 pinturas da sua autoria, particularmente da produção dos anos 1980 - as séries “Óperas”, “The Vivian Girls”, “Dentro e Fora do Mar” -, mas onde pontuam alguns trabalhos emblemáticos dos anos 1960, como “Sempre às Ordens de Vossa Excelência”, “Quando Tínhamos uma Casa no Campo”, e “Centauro”.

Também há obras dos anos 1990, como “Anjo”, “Amor”, “Entre as Mulheres”.

O marido, Victor Willing (1928-1988), está representado com 15 pinturas a óleo, de finais dos anos 1950 - “Aborrecimento Precário” -, dos anos 1970 - “Lugar” -, e com os últimos trabalhos da sua carreira, datados da segunda metade dos anos 1980, “Falhado” e “Ascot”.

Acresce ainda uma coleção de 34 desenhos e estudos preparatórios de figura e composição para obras pictóricas executadas nas décadas de 1980 e 1990.

Ainda sobre a programação deste ano, o museu vai realizar um curso de gravura para o público em geral, com mais de 16 anos, a 12 e 26 de outubro, e a 09 de novembro, e a projeção do documentário “A Gravura: Esta mútua aprendizagem”, de Jorge Silva Melo, a 16 novembro.

Também está prevista a atividade “Almofada da Paula”, o primeiro espetáculo de dança contemporânea inspirado na obra de Paula Rego para a Casa das Histórias.

A performance, com Sylvain Peker e Telma Pereira, prevista para acontecer a 16 de novembro, coloca em diálogo aberto um conjunto de personagens que cruzam as várias décadas de criação da artista.

O edifício da Casa das Histórias foi projetado pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura, escolhido pela própria por Paula Rego.

Nascida em Lisboa, em 1935, deixou Portugal ainda adolescente, durante a ditadura de Salazar, para fazer os estudos na Slade School of Art, em Londres, cidade onde se radicou e vive há mais de 50 anos.

Única artista mulher do grupo da Escola de Londres, Paula Rego distinguiu-se por uma obra fortemente figurativa e literária, considerada incisiva e singular pela crítica de arte.

Nessa época, Paula Rego conviveu com nomes de destaque da pintura como Francis Bacon, Lucian Freud, Frank Auerbach e David Hockney.

Foi na Slade School of Fine Art, onde frequentou o curso de pintura entre 1952 e 1956, que veio a conhecer o marido, o artista britânico Victor Willing (1928-1988).

Paula Rego foi distinguida em 2010 pela rainha Isabel II, com o grau de Oficial da Ordem do Império Britânico, pela sua contribuição para as artes.

Em 2016 foi-lhe atribuída a Medalha Municipal de Honra da cidade de Lisboa, pela câmara municipal.

Também foi distinguida em 1995 como Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e, em 13 de outubro de 2004, elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

No passado mês de agosto, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse ter a intenção de agraciar a pintora portuguesa, e de se deslocar a Londres para o fazer.

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