Tempo de acordar Portugal

A democracia portuguesa tem sido confrontada com dilemas sucessivos que nos deviam fazer parar para pensar. A célebre frase de Manuela Ferreira Leite, ex-ministra do PSD, quando um dia ponderou a necessidade de “suspender a democracia por seis meses”, ganha hoje um novo peso. Face à estagnação e aos vícios instalados, coloca-se a questão: estará na hora de interromper as velhas rotinas e forçar uma mudança profunda e duradoura no país?

Demasiadas evidências juntas levam a questionar se uma moção de censura ou uma missão de rutura com o atual sistema é urgente e será isso que o povo anseia?

Portugal não precisa de mais políticos agarrados ao sistema; precisa de cidadãos preparados para o transformar. É tempo de olhar para a sociedade civil e recrutar portugueses mesmo fora da esfera dos partidos políticos, pessoas que as há com competência, carácter, coragem e vontade genuína de servir a nação, pessoas que não procurem cargos, protagonismo ou benefícios pessoais, mas que estejam dispostas a colocar o país acima dos seus próprios interesses.

Se o Dr. André Ventura tiver a coragem e souber se rodear de pessoas sérias, honestas e verdadeiramente comprometidas com uma nova forma de fazer política, sem se deixar sequestrar por oportunistas, vigaristas e pelos vícios do sistema, poderá estar a abrir uma nova página na história de Portugal. Se conseguirmos deixar o ego e os interesses pessoais à porta, recuperando a essência da política servir, e não servir-se do país, estaremos a lançar as bases para um futuro diferente.

É crucial quebrar o preconceito em relação ao combate à criminalidade e à impunidade. Quando o CHEGA denuncia determinadas situações, alguma comunicação social considera de fogachos e há quem rapidamente classifique essas posições como populismo de extremistas, alegando que ferem sensibilidades. Mas importa perguntar: e os direitos humanos de quem é vítima da criminalidade, da exploração, do tráfico de seres humanos ou da ineficácia da Justiça? Não serão essas pessoas igualmente merecedoras de proteção e dignidade?

Os direitos humanos têm de ser universais e não aplicados de forma seletiva. Proteger as vítimas e combater quem viola a lei não é extremismo; é defender o Estado de Direito. Casos de tráfico, exploração ou cumplicidade criminosa devem ser investigados e julgados pelas autoridades competentes, garantindo o devido processo legal, a credibilidade das instituições, mas sem panos quentes.

Perante o cenário político atual, impõe-se a reflexão: entre o risco de ressuscitar um desgastado Bloco Central e dar a oportunidade a um governo liderado por André Ventura e pelo CHEGA (mesmo sem maioria), qual é a verdadeira alternativa para o país? Acreditar numa nova liderança é defender a necessidade de questionar, exigir respostas e provocar uma rutura com os velhos métodos, os velhos interesses e os velhos protagonistas.

É preciso substituir o medo pela coragem para escolher caminhos diferentes, carácter para não ceder ao facilitismo e determinação para colocar Portugal em primeiro lugar. Só assim poderemos acordar o país, restaurar a democracia, restituir a liberdade, resgatar os valores da sociedade e construir um futuro verdadeiramente digno para todos os portugueses.

A. J. Ferreira