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Pré-época

O Governo Regional foi de férias e não voltou. Foi de férias como faz sempre, independentemente de a Madeira estar ou não a arder - no sentido literal ou figurado.

O Presidente do Governo Regional deu o mote: depois das tiradas incendiárias do costume no Porto Santo, sumiu - e com ele sumiu também qualquer atividade política relevante, apesar dos problemas que se mantêm.

No período de férias, o melhor a que a Madeira assistiu foi à atuação de Eduardo Jesus, Secretário Regional do Turismo, em representação de Miguel Albuquerque, que em 2019 era contra a taxa turística no Funchal, mas que, em 2026, foi à sessão do Dia da Cidade dizer que o Funchal está melhor do que nunca e, sem saltar da cadeira, ouvir o atual autarca Jorge Carvalho anunciar que vai aumentar essa taxa. Estranhos silêncios de quem era contra o que agora (se) multiplicou - em municípios, instalações turísticas e espaços naturais.

Pouco habituado a partilhar o palco, José Manuel Rodrigues, Secretário Regional da Economia, logo se apressou a aparecer a falar sobre o ferry: o “estudo” diz que é inviável sem apoio público - mas não há apoio público que não acabe com gritos para a República, a exigir que alguém pague a conta. O trabalho está feito, dirá no fim.

Quem tentou mostrar trabalho foi Pedro Rodrigues, o até então desconhecido secretário regional dos equipamentos e infraestruturas, que desatou a insultar um Autarca, eleito pela sua população, acusando-o de “ignorância”, para, duas semanas depois, anunciar que a solução a implementar corresponde à reivindicação antiga do povo do Porto Moniz. A pequenez política de quem pretende mostrar permanentemente serviço ao chefe laranja não lhe permitiu compreender à primeira que a queda de pedras não tira férias - tal como a incompetência política do Governo a gerir alguns dossiês.

Na Saúde, a única novidade foi fundir numa só direção regional o que outrora se separou como marca de pioneirismo nacional: a saúde e a longevidade, como se alterações de orgânica resolvessem problemas de falta de camas - que, insisto, a construção do novo hospital apenas agravará, não melhorará. É assunto que, pelos vistos, desperta pouco interesse, como despertou pouco interesse, desta vez, reivindicar um segundo helicóptero de combate aos incêndios que afinal não chegou a tempo. Nem a presença do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, membro de um Governo da República liderado pelo PSD e com a tutela da Proteção Civil, deu azo à reivindicação do costume - contra Governos do PS.

A única coisa audível foi o comentário de impulso habitual de Carlos Rodrigues, Vice-Presidente da Câmara do Funchal, feito comentador e avaliador da postura política de outros, como se alguém se tivesse esquecido dos espetáculos deprimentes a que nos sujeitou nos anos a fio de atividade parlamentar - uma vergonha que começou lá longe, na Assembleia da República, e habita agora a Praça do Município.

O Governo Regional regressa sem reforços, com o mesmo treinador e sob a ameaça de uma chicotada psicológica. Enquanto isso, a bancada laranja aplaude e ignora as alegações públicas do ex-governante Miguel de Sousa, que merecem, espero, a devida investigação policial e criminal. A última, sobre o ferry, fala em concursos viciados, envolvendo Alberto João Jardim e Conceição Estudante. O povo ri-se, porque é no Facebook, mas é assunto sério e merece outra atenção.

A época política regional regressa em breve das habituais férias prolongadas como de costume: sem fulgor vencedor. Sofremos nós, adeptos da desgraça vigente sem fim à vista.

P.S. A outra pré-época que terminou foi a do Marítimo, que tem este sábado um desafio grande, dentro e fora de campo - mas vencer o de fora está nas mãos de todos os Maritimistas: mostrar orgulho no que é nosso e memória da dificuldade que foi regressar ao escalão principal do futebol nacional. Com respeito pelo lugar certo de todos e de cada um - como sempre. Saibamos honrar a nossa História, com respeito e desportivismo.