Missão Madeira
Na passada semana, uma delegação da Comissão do Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu esteve na Madeira. O momento não poderia ser mais adequado, numa altura em que se negoceia o próximo quadro financeiro plurianual e se discute a nova Estratégia para as Regiões Ultraperiféricas, recentemente apresentada pela Comissão Europeia.
Esta missão surgiu de uma sugestão minha, por achar essencial dar a conhecer aos meus colegas eurodeputados a realidade madeirense, o impacto do investimento europeu na nossa Região e a importância de mantermos medidas específicas para as Regiões Ultraperiféricas.
Visitámos projetos nas áreas da energia, da habitação, dos transportes e da investigação, financiados por fundos europeus. O contacto direto com empresas e autoridades regionais permitiu aos eurodeputados compreender a influência de diversos programas na modernização e no desenvolvimento do tecido empresarial, bem como na criação e manutenção de postos de trabalho. Perceber igualmente o que já foi feito, e o muito que há ainda por fazer.
Esta é uma dimensão particularmente importante para as Regiões Ultraperiféricas e para a Madeira em particular. Além da reduzida escala do mercado, as nossas empresas enfrentam custos acrescidos associados à insularidade e à distância em relação ao continente europeu. Sem medidas adequadas para os mitigar, estes acabam inevitavelmente por ser suportados pelas pessoas, aumentado o seu custo de vida de forma generalizada, pois praticamente tudo o que consumimos é importado do exterior.
Contudo, isso não resume toda a nossa realidade. Somos também uma região privilegiada em recursos naturais e com uma posição geoestratégica que deve assumir uma relevância crescente na União Europeia.
A economia azul é um claro exemplo disso. A nossa dimensão marítima abre horizontes para a investigação oceânica e desenvolvimento de novas atividades económicas. O mesmo se verifica no domínio da tecnologia e da inovação, onde devemos continuar a criar condições para transformar conhecimento em valor económico, atrair investimento e gerar novas oportunidades regionais, sobretudo emprego qualificado para os jovens, garantindo-lhes um efetivo direito a ficar.
Foi precisamente essa a mensagem que quis transmitir aos restantes deputados: a Madeira beneficia da solidariedade europeia para responder às suas necessidades, mas pode usá-la de igual modo para alavancar o seu potencial de desenvolvimento, desde que o enquadramento regulatório o permita.
Nos próximos meses, haverá decisões determinantes sobre o futuro da Política de Coesão e sobre os mecanismos de apoio da União Europeia às suas regiões. É essencial que essas decisões sejam tomadas por quem conhece a realidade destes territórios e compreende o que está em jogo para as populações, para as empresas e para a economia regional.
Continuo a defender que a Política de Coesão é o melhor investimento que podemos fazer, mesmo numa lógica integrada com novas prioridades como a segurança e defesa, pois uma União Europeia coesa, é uma União Europeia mais forte!
Neste sentido, devo dizer que me sinto muito satisfeito com o resultado da missão à Madeira, pois pude comprovar o interesse que despertou junto de colegas do Parlamento Europeu que estão hoje, seguramente, mais conscientes da nossa realidade, das nossas especificidades, mas também do contributo que a Região pode dar à Europa.
Sigo novamente para Bruxelas, com o sentimento de dever cumprido em relação a mais um compromisso que havia assumido com os madeirenses e energia renovada para continuar a defender a nossa terra.