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General Sousa Dias deportado para S. Tomé, Açores, Madeira e Cabo Verde

O general foi dos poucos oficiais de alta patente a não aderir ao golpe militar de 28 de Maio de 1926, e, desde o início procurou combater a Ditadura. Em 1930 voltaria a ser deportado para os Açores e, um ano depois, para a Madeira onde foi escolhido para chefiar a sublevação contra a Ditadura e assumir o comando da “Junta Militar” que governou democraticamente a Madeira. Novamente preso, foi demitido do Exército e deportado para Cabo Verde: primeiro, para o Campo de Concentração de São Nicolau, depois, transferido para a ilha de Santo Antão e, por fim, para São Vicente, onde faleceu no hospital em 1935. Os seus restos mortais chegaram a Portugal em 1935, tendo sido sepultado na Guarda.

Assumiu-se, sempre, como republicano, filiando-se no Partido Democrático após a revolução de Outubro de 1910. Iniciou, então, a sua vida política ativa, foi eleito deputado pelo Porto. Embora se encontrasse sob prisão, e com baixa no Hospital, foi indigitado para chefiar a revolta que eclodiu naquela cidade em 1927. Fracassada aquela, foi detido e deportado para S. Tomé juntamente com outros implicados, embarcou em Leixões, fez transbordo para o barco “Lourenço Marques”, e seguiu para São Tomé (1927) e depois Açores (1928). Este vapor saiu em 1927, à noite, levando deportados com destino aos Açores, Cabo Verde, Guiné e Angola. Em Novembro desse ano, Salazar determinou a sua transferência para Ponta Delgada, via Funchal. Foi informado que embarcaria no vapor Niassa em 1927, data em que este transporte passaria por S. Tomé, fazendo escala na Madeira. O General contestou essa decisão, por não querer abandonar os seus camaradas de desterro, sobretudo aqueles que tinham servido sob as suas ordens no movimento revolucionário de 1927, disso dando conta a todos os núcleos de deportados espalhados pelas Ilhas e Colónias. Depois de passar pelo Funchal, chegou, em Dezembro de 1927, ao Faial, onde lhe tinha sido fixada residência obrigatória. Em 1929, foi mandado regressar ao Continente, submetido a julgamento em Elvas, e condenado a dois anos de prisão. Apesar de já ter cumprido o tempo da pena a que fora condenado, regressou, em 1930, à ilha açoriana por lhe ter sido aí fixada residência e, em seguida, deportado para o Funchal e daqui desembarcou na cidade da Praia, e levado, juntamente com os outros deportados, mais de trinta, civis e militares, para o Lazareto, «onde nos meteram, cercado de arame farpado, pregando-nos as janelas, guardados por soldados pretos, numa aglomeração a mais anti-higiénica; dando-nos uma água insalubre para beber, em que se encontravam vários vermes em suspensão; e uma vala comum, sem escoante onde, sem distinção, todos íamos satisfazer as nossas necessidades corporais». Terá ficado ali cerca de um mês e, em 6 de Junho de 1931, embarcou para S. Nicolau, onde chegou no dia seguinte, ao anoitecer. Levado para o edifício do Seminário/Prisão um velho casarão aí chegaram a estar, ao todo, «cerca de 170 presos políticos», guardados pela «força indígena vinda de Angola» e «40 guardas civis, com dois subchefes e um chefe», idos de Lisboa, o General passava dias a fio deitado na cama, desolado, a deambular pelo corredor, em resultado do não atendimento de denúncias que fazia, de maus tratos a que todos eram submetidos, dos colegas tuberculosos a contaminarem os outros. Permaneceu em S. Nicolau até Agosto. Depois, foi transferido, sem saber porquê, «visto não ter pedido, nem direta nem indiretamente; nem tão pouco consinto que se peça, para a Ponta do Sol em Santo Antão» onde, «ao menos aqui, já respiro!» Na viagem, pode observar o local onde se iria «organizar um novo Campo de Concentração na Ilha de S. Nicolau num sítio conhecido pelo nome de Tarrafal», já em construção e que «excederá tudo o que até se tem praticado». As condições físicas e psicológicas vividas pelos deportados na Prisão de S. Nicolau, sob isolamento, regras de clausura, repressão, incomunicabilidade, acomodação, censura, restrições, vigilância policial e despotismo arbitrário e humilhante. Foi um dos militares que não foi, abrangido pela amnistia decretada em 1932 e continuou, em terras longínquas, a combater a Ditadura, mantendo, contactos com civis, e militares. Adoeceu em Santo Antão e, devido ao agravamento do seu estado de saúde, foi transferido para o hospital de S. Vicente, onde faleceu em 1935. A urna foi coberta com a bandeira nacional, transportada aos ombros de antigos companheiros da deportação em África e na Madeira e encaminhada para a Estação do Rossio, «onde foi colocada num vagão armado em câmara ardente que, atrelado ao comboio correio da Beira Baixa. Três anos após o 25 de Abril, por Decisão do Conselho da Revolução e a título póstumo, foi reentregado no Exército no seu posto de General. Em 1980, recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade. No primeiro Liceu de Cabo verde, já não há alunos nem deportados, cabe ao padre Eliseu cuidar do Edifício, mas há as memórias dos deportados da Madeira e por vezes serve de apoio a catequese local. Se com Salazar aconteceu esta e tantas Desgraças, o que seria com 3 Salazares conforme diz para aí a Desventura.