De vítima a criminoso!
Se, por coincidência, este tema esbarrar em qualquer sensibilidade menos preparada, não foi inicialmente essa a intenção. Pretende-se apenas tentar analisar até onde vão a informação, a narrativa do jornalismo, a Justiça, a lei e, sobretudo, a segurança no nosso país, bem como a confiança e a credibilidade das instituições.
Um caso recente aconteceu na Avenida de Berlim, em Lisboa, onde um homem, aparentemente de origem sul-americana, foi vítima de um assalto cujo móbil do crime seriam joias e relógios de luxo. Ao gangue é atribuído o nome de “Gangue da Rolex”, sendo o modus operandi alegadamente sempre semelhante: dois homens, uma mota que choca com uma viatura, o condutor sai e, nesse momento, é consumado o ato do roubo.
Mas uma situação semelhante já foi vista no canal brasileiro Record TV, no programa Cidade Alerta, que reportou casos muito idênticos. Coincidências?
Como é que um grupo de malfeitores consegue ter previamente identificadas e selecionadas as suas vítimas?
Como é que as autoridades conseguem lidar com este tipo de crimes num país aparentemente catalogado pela comunicação social como um dos mais seguros do mundo?
Porque é que a comunicação social desvia a informação, recorrendo a contornos e subterfúgios, relativamente à identificação dos criminosos e à proliferação deste tipo de crimes, que até aqui pouco ou raramente sucediam no nosso país?
Como é que existem tantas pessoas a circular nas nossas cidades com valores tão elevados expostos?
O fator da imigração descontrolada terá alguma responsabilidade neste fenómeno? Recentemente, também em Portugal, foi detido em Cascais “Hulk”, apontado como um dos líderes do designado grupo criminoso brasileiro PCC, e que o tribunal terá mandado libertar enquanto aguardava uma decisão sobre o pedido de asilo, num condomínio de luxo, mas em liberdade.
Como irá a Justiça pôr termo a este novo modelo de criminalidade em Portugal?
No caso da vítima, que fez a perseguição aos criminosos, com o resultado já conhecido, como irão lidar os tribunais em Portugal com um criminoso desta envergadura e com uma vítima que, por força da situação e das circunstâncias, acabou por se converter em “criminoso”?
A. J. Ferreira