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O que esperar no ensino superior?

Depois de anos de estudo e de esforços, finalmente damos o primeiro passo rumo à universidade. Para mim, esta passagem para o ensino superior representa uma panóplia de novas oportunidades, com a possibilidade de traçar novos objetivos, mas também de enfrentar muitos obstáculos.

A entrada neste novo ciclo académico representa um marco relevante na vida de um estudante que tenta entrar na universidade dos seus sonhos, no curso que sempre desejaram. Na sua terra, longe de casa, na universidade desejada ou na única que conseguem suportar financeiramente. E todos estes obstáculos são, a verdadeira dificuldade de um candidato ao ensino superior.

O primeiro obstáculo que muitos atravessarão será a escolha. Pode parecer algo simples, rápido e eficaz, mas, para outros, a decisão vai muito além de uma simples escolha. Exemplo disso somos nós, insulares. Quer na Madeira, quer nos Açores, existem várias etapas até decidir qual a universidade a escolher. Primeiro, começamos pela capacidade financeira, pois, para muitas famílias, sair da ilha não é algo que consigam suportar. Apenas esta etapa já custa, muitas vezes, o sonho de um estudante de tirar um curso fora das ilhas, sem o apoio de bolsas de estudo. Logo após, temos a escolha da universidade. Para quem tem capacidade para estudar fora, abre-se a possibilidade de escolher a cidade, o curso, a universidade e o alojamento que melhor se adequa às suas necessidades.

Mas e quanto à verdadeira entrada na universidade? O que esperar da receção? A meu ver, os primeiros dias são de adaptação. Conhecer pessoas do curso e criar laços, que poderão depois transformar-se em relações de amizade. Na minha perspetiva, o ensino superior nada mais é do que a última etapa da nossa formação formal e, tal como no primeiro ciclo, a primeira coisa que todos fazíamos era criar amizades e brincar uns com os outros. Ganhamos maturidade e mudamos os nossos pensamentos, mas ter a capacidade de criar amizades pode contribuir para um melhor desempenho académico e bem-estar pessoal. Até numa empresa, a criação de laços é fundamental para o seu bom funcionamento.

Depois, temos a praxe. Não sei o que esperar dela. Há quem diga que a praxe é a melhor maneira de criar amizades, como referi anteriormente; outros dizem que os doutores abusam dos caloiros e ultrapassam, em demasia, os limites. Mas, como em tudo, uns terão más experiências e outros boas experiências. A meu ver, a praxe pode ser uma oportunidade para nos divertirmos, conhecermos pessoas novas e, acima de tudo, sermos felizes dentro de uma comunidade na qual estaremos presentes durante vários anos.

No cômputo geral, a preparação de entrada na universidade apresenta muitos desafios, ainda antes do início da atividade letiva. No entanto, o ensino superior é uma porta de acesso a novas oportunidades, à possibilidade de conhecermos novas pessoas e de adquirirmos novos conhecimentos. Devemos preservar um valor fundamental, a nossa felicidade. Se não estivermos felizes com o curso que escolhemos, viver infelizes com aquilo que fazemos nunca será benéfico a longo prazo. Mudar não é falhar, mas reconhecer que existem outros caminhos. Imagino o ensino superior como um espaço de descoberta e ajuste do caminho que devemos construir para o nosso futuro.