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Madeira

PSD acusa executivo de “grande inércia” e aponta água como principal falha

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O vereador do PSD António Gonçalves acusou hoje o executivo de São Vicente de revelar uma “grande inércia” na governação, colocando os problemas no abastecimento de água no centro das críticas feitas no final e à margem da sessão solene comemorativa do aniversário do concelho.

Apesar de reconhecer a continuidade de investimentos, o social-democrata contrapôs que muitas das obras agora apresentadas pelo presidente da Câmara correspondem a projectos que ficaram preparados, estruturados ou mesmo contratados pelo anterior executivo do PSD.

“Todas as obras que foram enumeradas são obras que estavam estruturadas e algumas até contratadas pelo PSD”, afirmou António Gonçalves, sustentando ainda que a anterior governação deixou um saldo de gerência de cerca de 1 milhao de euros e uma autarquia com uma situação financeira que considera sólida.

É, contudo, na água que o vereador endurece o discurso. António Gonçalves rejeita que os actuais problemas possam ser simplesmente remetidos para o passado, reconhecendo que sempre existiram dificuldades, mas defendendo que anteriormente havia capacidade de intervenção e apoio externo às equipas municipais.

“Nunca tivemos situações no concelho de populações e sítios que estivessem um mês sem água”, criticou, considerando “lamentável” que não esteja a ser assegurada uma resposta eficaz a uma necessidade que classifica como básica.

Para o vereador, a capacidade de projectar o futuro do concelho começa precisamente pela resolução destes problemas. “Se nós não conseguimos resolver o básico, como é que vamos resolver aquilo que é menos básico e como é que vamos projectar aquilo que é estratégico para o concelho?”, questionou.

António Gonçalves contesta também as prioridades anunciadas para a rede de abastecimento. Na sua leitura, a intervenção referida para a zona do Lombo e Terra Chã não corresponde à necessidade mais urgente neste momento.

O social-democrata aponta antes como prioritárias as redes das Ginjas e Feiteiras, onde diz existir “um grande problema”, bem como a intervenção entre Boaventura e São Cristóvão e o reforço da rede de água na Lombada.

“Temos de dar prioridade àquilo que é prioritário”, defendeu, acusando o presidente de tomar algumas decisões “em cima do joelho” e de avançar com determinadas intervenções porque os respectivos projectos já estão concluídos.

Também a Escola das Ginjas entrou na resposta política do vereador. António Gonçalves recordou que o projecto apresentado pelo actual executivo teve origem no mandato anterior, procurando desta forma contrariar a ideia de que os investimentos anunciados representam uma ruptura com a governação precedente.

Sobre a empresa municipal, o vereador rejeitou igualmente que a sua criação pelo anterior executivo tenha constituído um erro. Segundo António Gonçalves, a estrutura apresentou resultados positivos durante vários anos e foi pensada como uma solução estratégica que permitia, entre outros aspectos, salvaguardar património e proteger os trabalhadores.

Admite, contudo, que a situação muda quando surgem resultados negativos. “A partir do momento em que a empresa tem resultados negativos, tem de ser resolvida”, afirmou.

António Gonçalves questionou ainda a solução encontrada para a empresa, salientando que o Governo Regional celebra contratos-programa com municípios e não directamente com empresas municipais. Para o vereador, esse aspecto demonstra falta de ponderação na decisão tomada.

As críticas estenderam-se aos apoios às instituições do concelho. O vereador relativizou os aumentos apresentados pelo presidente da Câmara, afirmando que o reforço médio terá rondado os 11%.

No caso dos Bombeiros Municipais, reconheceu a importância do aumento de 150 mil euros, mas alegou que esse reforço decorre de uma obrigação legal, contrapondo que houve simultaneamente uma redução de cerca de 50 mil euros nos apoios destinados a outras associações.

Ainda assim, deixou claro que o PSD não contesta um maior financiamento aos bombeiros. Pelo contrário, António Gonçalves considera que a verba poderia ser ainda mais reforçada, tendo em conta o papel da corporação na resposta à população em situações de emergência.