Khamenei renova cúpula militar e nomeia novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas
O líder supremo iraniano nomeou o general da Guarda Revolucionária, Ali Abdollahi, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas e anunciou outras importantes nomeações militares, divulgou hoje o seu gabinete.
O 'ayatollah' Mojtaba Khamenei, que foi nomeado líder supremo a 08 de março, na sequência da morte do seu pai Ali Khamenei, anunciou, num comunicado, a nomeação de Ali Abdolahi como novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e de Ahmad Vahidi como comandante-chefe da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica.
Abdolahi, que era oficial da Guarda Revolucionária, comandava anteriormente o quartel-general central Khatam al-Anbiya, uma estrutura inter-forças de primeiro plano encarregada de supervisionar e coordenar as operações militares.
Abdolahi substitui assim Abdolrahim Musavi, morto a 28 de fevereiro, no primeiro dia da ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, e Vahidi, que ocupava o cargo interinamente, substitui Mohamad Pakpur, também morto no início do conflito.
As mexidas na cúpula militar não ficaram por aqui e envolveram ainda Kiumars Heydari, que assumirá o cargo de chefe adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas, e Mustafa Izadi que será o subcomandante da Guarda Revolucionária.
Ao mesmo tempo, Ali Azmaei ficará a cargo da Marinha da Guarda Revolucionária, corpo que mantém o bloqueio do estreito de Ormuz, em substituição de Alireza Tangsiri, morto num ataque norte-americano-israelita no final de março.
As mudanças estendem-se até às forças Basij, um corpo paramilitar de voluntários islâmicos com grande influência na sociedade iraniana, que serão lideradas agora por Hossein Taeb.
As Basij contam com quatro milhões de membros distribuídos por escolas, universidades, fábricas, repartições públicas ou mesquitas.
No comunicado publicado na rede social X, o líder supremo, que ainda não foi visto em público desde o início da guerra, explicou que o objetivo das nomeações é "preparar respostas oportunas, revolucionárias e eficazes perante qualquer nível e tipo de ameaças convencionais ou modernas - sejam elas militares, cognitivas ou híbridas - contra o sistema sagrado da República Islâmica do Irão".
Estas nomeações surgem um dia depois do regime iraniano ter nomeado Mohsen Rezaei, um veterano comandante-chefe da Guarda Revolucionária considerado um ultraconservador, como novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Estes novos responsáveis assumem o comando dos aparelhos militares e de segurança iranianos num momento em que ainda está em curso a guerra iniciada há quase seis meses com bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel.
Em meados de junho, Teerão e Washington assinaram um memorando de entendimento para pôr fim ao conflito, mas o acordo foi rompido no início de julho com o reinício das hostilidades entre as partes.
Entretanto, os Estados Unidos suspenderam a sua mais recente ofensiva contra o Irão numa altura em que vários 'media' norte-americanos têm noticiado uma escassez de munições por parte de Washington.
No domingo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu deixar a pressão económica sobre o Irão aumentar, em vez de ordenar novos ataques perante as exigências de Teerão para reabrir o estreito de Ormuz.
"Estamos apenas a semi-negociar com eles. Limitamo-nos a observar o Irão, com a sua inflação galopante e o facto de já não ter dinheiro", disse Trump, citado pelo site de notícias Axios.
Há apenas uma semana, Trump tinha lançado mais uma de uma série de ameaças de atacar fortemente o Irão, antes de recuar de novo, dizendo esperar um acordo rápido sobre a reabertura de Ormuz.
Durante o fim de semana, o Irão apresentou uma lista de exigências aos Estados Unidos, incluindo o fim do bloqueio naval imposto pelos norte-americanos, a suspensão das sanções e o pagamento de reparações de guerra, afastando a esperança de uma resolução rápida do conflito.