A paixão pelo Futebol
Em pleno Mundial de Futebol, com a nossa Seleção na luta por um título inédito, todo o país vive um tempo diferente. Organizamos a agenda de trabalho e até a vida familiar em função dos horários dos jogos que não queremos perder. Por momentos, esquecemo-nos de muitos dos problemas do dia a dia e o foco passa a ser apenas saber se o nosso Ronaldo será titular, se irá marcar e, sobretudo, se conseguiremos continuar em prova, jogo após jogo, até à tão desejada final.
Em Machico, este Mundial também está a ser vivido de forma intensa, em particular na nossa Praça do Mundial. Um investimento igualmente inédito, que tem recebido muitos residentes, sobretudo os mais jovens, mas também inúmeros adeptos de fora do nosso concelho. Até quem visita a Madeira encontrou neste espaço um atrativo adicional para os finais de tarde e as noites, transformando-o num verdadeiro ponto de encontro que tem dado uma agradável dinâmica à nossa cidade.
É por tudo isto que o futebol foi, e continua a ser, o desporto-rei. Por muito que se promovam outras modalidades, a emoção vivida na Praça do Mundial é única. A incerteza, o nervosismo e a esperança depositada numa Seleção que, nestas competições, consegue unir todos os portugueses são incomparáveis. Até há quem diga que não gosta de futebol, mas que faz questão de apoiar a nossa Seleção.
Que bom seria conseguirmos transportar parte desta devoção para outras esferas da sociedade, nomeadamente para a política. Embora, na essência, uma seja entretenimento e a outra deva ser discernimento, a verdade é que, infelizmente, a política parece cada vez mais um palco de entretenimento, onde alguns protagonistas, tal como certos jogadores, parecem mais preocupados em ficar bem na fotografia individual do que em contribuir para um verdadeiro resultado coletivo.
Também na política existem diferentes formas de atuar. Há quem desempenhe um papel semelhante ao do guarda-redes, limitando-se a defender os remates dos adversários. Outros permanecem constantemente na defesa. Alguns, como os médios, procuram recuperar o jogo, travar os ataques da equipa contrária e distribuir bem a bola quando a têm na sua posse. E há ainda aqueles que procuram causar verdadeiro impacto, criando oportunidades e apontando os golos que fazem a diferença.
Quanto a mim, como nunca tive grande jeito para o futebol, dedicarei o meu esforço à política. Sem grandes táticas de ataque ou de defesa, procurarei continuar a agir como sempre procurei fazê-lo, com discrição no plano individual, mas com ambição e eficácia no plano coletivo. O meu coletivo são os machiquenses. É com eles e para eles que jogo todos os dias, para que, no campeonato que verdadeiramente importa, Machico possa sair vencedor.