Sim, crescer é bom
Os extremos políticos conseguem, recorrentemente, gerar e dinamizar algumas das piores ideias alguma vez formuladas pelo ser humano.
Atualmente, no que é mais um exemplo da teoria da ferradura, segundo a qual os extremos aproximam-se frequentemente, temos parte da esquerda europeia e a nova direita americana a defender a teoria do degrowth ou decrescimento económico.
Este tema tem sido progressivamente acolhido nos últimos anos por uma parcela da esquerda europeia. A novidade é que a nova direita americana, liderada pelo vice-presidente do país, parece ter assumido o tema como seu.
A crescente onda de contestação da importância do crescimento económico tem diversas roupagens. Uns relativizam a necessidade de crescimento económico, outros duvidam da fiabilidade dos seus dados, enquanto outros argumentam que estes ignoram dimensões essenciais do progresso humano como a coesão social e os princípios e valores da sociedade.
É verdade que as estatísticas não representam uma verdade absoluta, sejam elas económicas ou desportivas. No caso do PIB, por exemplo, dois produtos alimentares vendidos ao mesmo preço e na mesma quantidade, em países diferentes, com preços iguais, terão o mesmo contributo para o PIB, mesmo que um deles apresente um valor nutricional significativamente superior.
Em alternativa são frequentemente propostos indicadores diferentes como a esperança média de vida, a mortalidade infantil e materna, a escolaridade média e a taxa de alfabetização, o acesso a saneamento e à eletrificação, o índice de desenvolvimento humano, entre outros. Têm o problema de ser difíceis de agregar num único índice simples e universal.
Felizmente, todos estes indicadores têm uma forte correlação com o crescimento do PIB ou PIB per capita. É por esta razão que continuamos a usar o crescimento do PIB como indicador de progresso. Reconhecer que o PIB não mede tudo não implica concluir que não mede nada que de relevante.
Está amplamente demonstrado que o crescimento económico está fortemente associado ao aumento do rendimento disponível das famílias, a melhorias na saúde e oportunidades de educação, à capacidade de financiar bens públicos e esquemas de pensões, entre muitos outros benefícios. Resumidamente, sociedades mais prósperas dispõem, em regra, de mais recursos para responder às necessidades dos seus cidadãos.
Quanto às considerações que o PIB não mede flutuações morais, ninguém se questiona porquê que haveriam de ser os economistas a medir estes indicadores? Paralelamente, alguém tem alguma razão para acreditar que a coesão social ou a moral e valores dos indivíduos melhorariam no caso de decréscimo económico? A nossa história mostra que grandes crises económicas têm frequentemente sido acompanhadas por uma deterioração da coesão social, um aumento da polarização, maiores fluxos de emigração e uma erosão da confiança nas instituições.
Podemos e devemos discutir sustentabilidade, ambiente, coesão social e qualidade de vida. Mas não devemos esquecer uma das lições mais consistentes da história económica: sociedades mais prósperas tendem a oferecer vidas melhores aos seus cidadãos. Crescimento económico é bom e recomenda-se.