O valor de servir
No dia 23 de junho assinalou-se o Dia Internacional do Serviço Público, uma data instituída pelas Nações Unidas para reconhecer o valor do serviço à comunidade, o contributo dos trabalhadores públicos para o desenvolvimento e a importância de atrair novas gerações para a Administração Pública. Não é apenas uma efeméride. É uma oportunidade para olhar, com justiça, para quem todos os dias garante que as instituições funcionam e que as populações têm respostas.
Também a OCDE, no relatório Government at a Glance 2025, publicado este mês, chama a atenção para a importância de administrações públicas preparadas, capazes de responder a desafios cada vez mais complexos e de manter a confiança dos cidadãos nas instituições. Essa confiança não se estabelece apenas com decisões políticas. Faz-se, muitas vezes, no primeiro atendimento, na resposta dada a tempo, na rua limpa, no jardim cuidado, no caminho reparado, no apoio social prestado, no processo tratado com rigor e na disponibilidade de quem escuta.
Na Ribeira Brava, como em qualquer concelho, o serviço público tem rostos. São os trabalhadores que abrem portas, atendem munícipes, tratam processos, acompanham famílias, apoiam escolas, preparam eventos, garantem a água, asseguram espaços públicos, cuidam da limpeza, dos jardins, da manutenção e de tantas pequenas tarefas que fazem grande diferença na vida da comunidade.
Tal como noutras instituições do concelho. Nas escolas, nos centros de saúde, nos lares, enfim, em diferentes setores e nem sempre aparecem. Nem sempre são reconhecidos. Muitas vezes, o seu trabalho só é notado quando alguma coisa falha. Mas uma autarquia vive também destes profissionais discretos, que conhecem as pessoas pelo nome, sabem onde estão os problemas, escutam, encaminham, resolvem e ajudam.
Servir não é apenas cumprir uma função. Servir é perceber que, do outro lado, há sempre alguém que precisa de uma resposta: um idoso que procura apoio, uma família que precisa de orientação, um empresário que aguarda um licenciamento, uma criança que usa um espaço público, uma freguesia que espera por uma intervenção ou um munícipe que apenas quer ser ouvido com respeito.
Por isso, valorizar o serviço público é, acima de tudo, valorizar quem o presta. Valorizar com melhores condições de trabalho, formação, reconhecimento profissional e justiça salarial. A valorização dos trabalhadores da Administração Pública tem estado, aliás, no centro de acordos plurianuais recentes, precisamente porque não basta exigir mais eficiência sem cuidar de quem assegura o funcionamento diário dos serviços.
Na Ribeira Brava, temos procurado modernizar respostas, aproximar serviços e preparar melhor o futuro. Mas nenhum projeto tem verdadeiro valor se não tiver pessoas capazes de o concretizar. A política decide, os orçamentos enquadram, a tecnologia ajuda, mas são os trabalhadores que dão corpo ao serviço público todos os dias.
Este é, por isso, um agradecimento simples e justo. Aos que estão no atendimento e aos que estão na rua. Aos que trabalham nos gabinetes e aos que trabalham no terreno. Aos que dão a cara e aos que ficam nos bastidores. Aos que servem com competência, paciência e sentido de responsabilidade.
O serviço público tem muitos rostos. Na Ribeira Brava, esses rostos merecem ser vistos, respeitados, valorizados ou até aplaudidos. Porque servir os ribeira-bravenses continua a ser uma das formas mais nobres de cuidar da nossa terra.