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Que no meio do caos não nos falte a esperança

Esperemos que o Governo Português se lembre, desta vez, que a Madeira faz parte do todo nacional

Qualquer que fosse a narrativa prevista para este artigo de opinião cairia por terra perante a lamentável tragédia que afetou a Venezuela, nesta semana que agora finda.

Sismos violentos que já provocaram centenas de mortes e milhares de feridos e desaparecidos, num cenário dantesco e dramático que continua a crescer à medida que decorrem as operações de localização, socorro e resgate no terreno.

É incalculável a dor que sentimos e que partilhamos, neste momento, com aqueles que, naquele País, foram vítimas desta catástrofe e/ou choram a perda dos seus familiares.

Tal como é também muito difícil assistir ao desmoronar e à destruição repentina de bens e de projetos de toda uma vida.

Isto sem esquecer os que, deste lado, na nossa Região, desesperam por notícias e por saber das suas famílias e amigos, aguardando respostas que tardam a chegar, pese embora a extraordinária onda de solidariedade, ação e mobilização geradas em torno desta ocorrência.

Dizia eu que é incalculável a dor e o nosso choque face a esta tragédia, num sentimento que nos une e aproxima. Na verdade, tenho dúvidas de que exista algum madeirense que não tenha família ou alguém conhecido que tenha regressado ou que continue a viver na Venezuela.

Mas também é incalculável e inabalável a nossa fé.

A nossa resiliência. A nossa força e capacidade de renascer no meio das ruínas e de acreditar na caminhada, mesmo quando não existem grandes luzes para guiar-nos nesse caminho.

E é por isso que temos de seguir em frente, sabendo acompanhar, apoiar e garantir que tudo o que está ao nosso alcance seja cumprido, conforme fizemos desde a primeira hora, através do nosso Núcleo de Emigrantes, liderado pelo companheiro Carlos Fernandes, tal como através do Governo Regional.

Aliás, o Núcleo de Emigrantes do PSD/M foi e está a ser, também nesta grave ocorrência, incansável, num contributo que, atendendo à dimensão da catástrofe e à necessidade de juntar todas as ajudas possíveis, assume, de facto, a maior importância.

Enquanto Governo, estamos prontos e queremos fazer parte das soluções, primeiro numa lógica de garantir o apoio às operações de socorro, salvamento e gestão das necessidades básicas da população e, depois, numa óptica de ajuda à reconstrução.

Esperemos que o Governo Português se lembre, desta vez, que a Madeira faz parte do todo nacional e nos deixe contribuir para esta causa maior a favor do povo venezuelano, nosso povo-irmão.

Esperemos que Luís Montenegro deixe para trás as atitudes que vem revelando nos últimos tempos para com a Madeira e entenda que, de facto, este é um dossiê que temos de tratar em conjunto.

Também espero que o Governo da República garanta a solidariedade que desde a primeira hora assumiu para com a Venezuela de forma célere e eficaz, sabendo não perder tempo numa altura em que todos os minutos contam.

Sejamos fortes, uma vez mais.

E que no meio do caos nunca nos falte a esperança para seguir em frente.