Lapsos e relapsos
Ao longo dos últimos meses e anos temos assistido a uma série de decisões ad hoc sobre o turismo, sem ter em conta a importância do sector e da interdependência de todas as suas partes. Muitas destas decisões parecem e são impensadas, na esmagadora maioria dos casos por completo desconhecimento da operacionalização do turismo, noutros, espero que menos, porque há interesses num determinado sentido.
Aprendi, há muito tempo, que para que as pessoas pensem tem de haver capacidade, espaço e vontade. Conheço o senhor secretário desde há muitos anos. Não tenho a impressão de que seja incapaz de pensar. Pomposo, cheio de si, sim. O Eduardo Jesus de há anos era uma pessoa correta, educada, formal até por demais. Nunca lhe passaria pela cabeça insultar seja quem fosse, muito menos em público, e ainda menos num espaço como um parlamento.
O que eu diria é que este “lapso” (o bardamerda parlamentar), que creio ter sido absolutamente intencional) decorre dos compromissos e jogos de poder que são característicos do PSD regional (quero crer que a nível nacional a situação é melhor…). O senhor secretário é ambicioso, e a sua ambição não se cinge à pasta do turismo, independentemente dos enxertos que lhe tenham acrescentado. Mas para alimentar esta ambição era preciso fazer uma prova de boçalidade, de preferência num espaço que lhe desse um maior impacto e uma maior cobertura.
Para ser um bom candidato à liderança do PSD-Madeira é preciso dar provas de intolerância, má educação e prepotência. É preciso fazer prova de fidelidade aos lobbies do costume (construção civil, cimento, transportes marítimos, …), de algum desrespeito pelo processo administrativo e legal, e manter uma conflitualidade artificial (pelo menos aparente aqui na Região) em relação à República. Tem sido esta a história do PSD-M, ao longo de toda a história da Madeira pós-25 de Abril.
Finalmente, em relação à necessidade de pensar… seguir a história da Madeira e especialmente da sua governação ao longo dos últimos cinquenta anos demonstra claramente que pensar não é uma necessidade. Não tomar decisões é frequentemente a melhor decisão, porque na maior parte dos casos as decisões são as decisões erradas… em termos de timings, em termos de aplicabilidade, e muito frequentemente porque pura e simplesmente não se perguntou aos operacionais o “como” é que as coisas acontecem.
Relembrar aos leitores que este é um texto de opinião, mas que até que me demonstrem o contrário, esta é a minha perspetiva em relação aos governos regionais liderados pelo PSD-M, e ao PSD-M em concreto, e finalmente em relação aos quadros deste partido.