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Madeira para quem?

A Madeira orgulha-se, e bem, de ser um destino turístico de excelência. Contudo, importa fazer uma pergunta simples: a Madeira está a tornar-se um destino apenas para quem a visita ou continua a ser uma terra para quem nela vive?

Basta olhar para o custo de algumas das principais atrações turísticas para perceber que existe um problema que merece reflexão. Andar no teleférico do Funchal custa 22€. Visitar o Monte Palace representa mais 18€. A tradicional descida nos carros de cesto tem um custo de 30€ por pessoa. Uma família de quatro elementos que pretenda desfrutar destas experiências pode facilmente gastar mais de uma centena de euros numa única tarde.

Perante estes valores, quantos madeirenses podem realmente usufruir daquilo que a sua própria terra tem para oferecer? Quantos jovens, famílias ou pensionistas conseguem incluir estas atividades no seu orçamento? A verdade é que muitas destas experiências acabam por ser vistas como algo reservado aos turistas, ficando progressivamente afastadas da realidade da população residente.

O mesmo sentimento estende-se à restauração. Comer num restaurante típico da região tornou-se, para muitas famílias, um luxo ocasional. Os preços aumentaram de forma significativa nos últimos anos, acompanhando uma tendência generalizada de aumento do custo de vida. Porém, a qualidade do serviço nem sempre acompanha essa subida. Não são raros os relatos de atendimento apressado, pouco cuidado ou excessivamente focado na rotatividade das mesas.

É evidente que os empresários enfrentam custos acrescidos, desde salários a rendas e matérias-primas. Não se trata de ignorar essa realidade. Mas também não podemos ignorar outra: uma região que vive do turismo não deve esquecer aqueles que lhe dão identidade, cultura e autenticidade. São precisamente os residentes que ajudam a criar a experiência que tantos visitantes procuram.

O sucesso turístico não pode medir-se apenas pelo número de hóspedes ou pelas receitas geradas. Deve também ser avaliado pela capacidade de garantir que os madeirenses continuam a sentir que a Madeira lhes pertence. Uma terra onde os seus habitantes não conseguem usufruir das atrações, dos espaços e das experiências que promovem ao mundo corre o risco de criar uma distância cada vez maior entre quem vive e quem visita.

Talvez esteja na altura de refletirmos sobre que modelo de desenvolvimento queremos. Uma Madeira exclusivamente pensada para turistas ou uma Madeira capaz de conciliar prosperidade económica com qualidade de vida e acesso para quem cá vive. Porque uma região verdadeiramente sustentável é aquela que não deixa os seus próprios habitantes para trás.