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Uma piscina às cores e um embaixador desrespeitado

1 - A praia da Palmeiras foi construída em 1992 e mais de trinta anos depois continua a atrair muita gente a Santa Cruz.

Afinal o PSD ainda fez alguma obra de jeito no concelho…

Há contudo que reconhecer que precisa de obras de requalificação, algo que a Câmara municipal decidiu fazer em 2025.

Projeto feito, previa-se a renovação profunda do edifício de apoio, uma alteração no solário e na promenade, e a demolição do muro exterior.

De tudo isto, em 2025 apenas se demoliu o muro exterior, retirando-se a privacidade aos banhistas, ficando o resto para 2026. Pelo menos foi o que se pensou.

Afinal o projeto orgulhosamente apresentado por Filipe Sousa foi jogado para o lixo, e já está a ser feito outro num gabinete externo, mais do agrado da atual vereação.

Entretanto avançaram as obras (quase meio milhão de euros!), trocando-se seis duches por apenas dois e muito mal localizados, fazendo-se um enrocamento com pedra miúda (será que aguenta o primeiro inverno?), e remodelando-se a piscina grande, que à revelia de todas as normas de segurança, passa agora a ter um fundo às cores que mais parece a parede de um qualquer jardim de infância, gastando-se só nisso… sete mil euros!

São opções, e quem manda decide. Mas a cada vez mais evidente vontade de romper com o passado recente (a gestão de Filipe Sousa) só aumenta a fatura a pagar por todos nós.

2 - A Câmara Municipal de Santa Cruz tem uma política de apoios ao desporto que não prevê subvenção à participação nacional. É uma opção legítima de quem governa e, concordando ou não, tem de ser respeitada.

Ricardo Miranda é presidente da AD Camacha há oito anos, e durante esse tempo por várias vezes mostrou discordância com esse modelo. Entende que, tal como acontece noutros concelhos da Região, os clubes com participação nacional deveriam ter outro tipo de apoio, pois são também ‘embaixadores’ do seu concelho no território nacional.

A câmara, legitimamente, entendeu manter o seu modelo.

O Ricardo, legitimamente, decidiu não se recandidatar a novo mandato pois considera que não vale a pena continuar num caminho com o qual não concorda.

Se a Câmara tem legitimidade para manter o modelo de apoios e o Ricardo tem também legitimidade para decidir o que quer fazer da sua vida, onde está então o problema?

Em minha opinião, na falta de legitimidade da Câmara em tratar o presidente da AD Camacha como tratou, apenas e só porque este decidiu que com estas regras não quer continuar a jogar o jogo.

Ricardo Miranda é um profissional respeitado, um homem íntegro e dedicado à sua terra e ao seu clube, que, repito, se tem assumido como verdadeiro embaixador desportivo (e não só) do concelho. Não merecia por isso ser desrespeitado desta forma só porque expressou a sua discordância para com a política camarária.

Abril de 1974 trouxe a Portugal a democracia, e com ela a liberdade de expressão.

Num concelho onde se pintam os cravos na parede e tanto se apregoa essa liberdade de expressão, ter opinião contrária ao poder não pode ser tratado como crime!

3 - Uma mentira muitas vezes repetida não se torna verdade. Por isso, e apesar das sucessivas intervenções públicas do JPP a dizer o contrário, a verdade é que a política habitacional da Câmara Municipal de Santa Cruz nestes 12 anos tem sido um autêntico fracasso.

Primeiro porque ao contrário do que diz o JJP, a habitação não é uma responsabilidade exclusiva do Governo. É também das câmaras.

Depois, porque nos últimos anos, a autarquia de Santa Cruz teve ao seu alcance diversos instrumentos para combater a crise na habitação: sucessivos saldos de gerência superiores a 10 milhões de euros, a revisão do PDM ou o recurso ao programa ‘1.º Direito’, que através de um acordo de colaboração com o IHRU permitiria ao município receber verbas para investir nesta área.

Só que os saldos de gerência continuam a acumular-se, o PDM está por rever desde 2019 e o acordo de colaboração com o IHRU nunca foi feito porque, ao contrário de mais de 270 municípios de todo o país, entre os quais Funchal, Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Calheta, Porto Santo e São Vicente, a câmara de Santa Cruz não conseguiu cumprir a sua parte.

Vá lá que o Governo Regional tem sabido aproveitar as verbas do PRR. Em 2025 foram inaugurados 84 fogos e está agora em curso um novo investimento de 23 milhões de euros para a construção de mais 70 habitações no nosso município.

Porque à espera da Câmara, penso que nem em 2050!