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Juntos por Sorrisos: a cooperação como ação concreta

No passado dia 5 de maio chegaram à cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, dois contentores no âmbito do movimento Juntos por Sorrisos, desenvolvido em articulação entre o Consulado Honorário de Cabo Verde na Madeira e a Associação de Promoção da Macaronésia da Madeira. O transporte e apoio logístico foram assegurados pelo Grupo Sousa, contando ainda com a colaboração do Grupo Porto Bay, que cedeu mobiliário destinado a reforçar as condições de apoio a crianças em situação de vulnerabilidade em Cabo Verde.

Nas várias deslocações realizadas a Cabo Verde, foi possível constatar diretamente que muitas instituições enfrentam dificuldades básicas ao nível do mobiliário, dos equipamentos e dos materiais de apoio às crianças, agravadas pelas intempéries vividas no passado mês de agosto. Por isso, esta operação vai muito além do envio de bens. Mostra como a cooperação atlântica pode deixar de ser apenas uma ideia diplomática e transformar-se numa resposta concreta.

Esta cooperação poderia, e deveria, estender-se a vários setores, apesar das resistências que ainda existem a uma visão mais integrada da Macaronésia. A Macaronésia, entendida como espaço funcional composto por Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde, não deve ser apenas uma categoria geográfica. Pode afirmar-se como um campo de cooperação prática entre territórios insulares com desafios comuns.

Além desta iniciativa, está simultaneamente em curso a chegada de um novo carregamento de bens à ilha do Sal, cidade de Santa Maria, no âmbito do Dia Mundial da Criança, no Complexo Educativo Manuel António Martins. Esta operação centra-se na oferta de instrumentos musicais, promovendo a música como ferramenta de aprendizagem e desenvolvimento cultural.

A iniciativa só é possível através da articulação entre entidades, sociedade civil e setor privado. Destaca-se o contributo do Grupo Sousa, que tem apoiado o movimento e permitido dar-lhe maior escala. Importa igualmente referir a PKF MadConta, a FN Hotelaria e a NOS Madeira, que permitiram acrescentar ao evento um momento gastronómico dedicado às crianças.

Enquanto Cônsul Honorária de Cabo Verde na Região Autónoma da Madeira, acompanho de forma próxima estas dinâmicas e percebo que a cooperação, quando é bem estruturada, deixa de ser um gesto isolado para se transformar numa rede dinâmica.

Neste trabalho de acompanhamento no terreno e de monitorização das operações e da distribuição dos bens em Cabo Verde, deixo também uma palavra de agradecimento à Binter Canárias.

Estas iniciativas revelam uma mudança de paradigma: os territórios insulares deixam de se definir apenas pela sua limitação geográfica e passam a afirmar-se pela capacidade de cooperação estruturada.