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Guerra no Irão Mundo

Teerão reitera que Líbano é "parte indissociável" do acordo de cessar-fogo

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EPA/ATEF SAFADI

O presidente do parlamento iraniano reiterou hoje que o Líbano é uma "parte indissociável" do acordo de cessar-fogo no Médio Oriente e sublinhou que qualquer violação da trégua resultará numa "resposta forte" por parte de Teerão.

"O Líbano e todo o Eixo da Resistência, enquanto aliados do Irão, constituem uma parte indissociável do cessar-fogo", afirmou Mohammad Bagher Qalibaf numa mensagem publicada na rede social X.

O acordo de cessar-fogo apresentado pelo Paquistão incluía inicialmente o Eixo da Resistência iraniana, constituído por aliados de Teerão no Líbano, pelo movimento xiita Hezbollah, no Iémen, através dos rebeldes Huthis e na Faixa de Gaza com o movimento palestiniano Hamas.

Face à onda de ataques em grande escala de Israel ao Líbano na terça-feira, que já provocaram pelo menos 203 mortos e mais de mil feridos, Qalibaf alertou que as violações do cessar-fogo acarretarão "custos significativos".

"Apaguem o incêndio imediatamente", afirmou.

Qalibaf, que tem sido uma das principais vozes do poder político iraniano, salientou que o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, apresentou publicamente e de forma inequívoca que o Líbano estaria incluído no acordo, pelo que "não existe espaço para a negação nem para voltar atrás".

A um dia das conversações anunciadas por Islamabad que deverão contar com uma delegação norte-americana liderada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, os beligerantes continuam em desacordo quanto à inclusão do Líbano na trégua.

"Acredito que os iranianos pensavam que o Líbano fazia parte do cessar-fogo, e isso simplesmente não era o caso. Nunca fizemos essa promessa", disse JD Vance no final da sua visita à Hungria na quarta-feira.

"Se o Irão quer que esta negociação fracasse por causa de um conflito no qual estão a ser derrotados no Líbano, que nada tem a ver com eles e que os Estados Unidos nunca disseram fazer parte do cessar-fogo, a escolha é deles", acrescentou o vice-presidente republicano.

Por seu lado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem defendido a continuação da campanha militar israelita no Líbano e avisou ainda o Irão de que Telavive estará pronta para recomeçar o conflito caso a trégua caia por terra.

"Continuaremos a atacar o Hezbollah onde for necessário, até termos restaurado plenamente a segurança para os habitantes do norte" de Israel, escreveu hoje Netanyahu na rede social X.

Já o Governo libanês decidiu hoje proibir o porte de armas a grupos não estatais na capital.

A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro, Nawaf Salam, que justificou a medida com a necessidade de garantir a segurança dos cidadãos.

O Governo libanês tem procurado desarmar o Hezbollah que é o único grupo que manteve o seu arsenal militar no Líbano após o fim da guerra civil (1975-1990), continuando a desempenhar um papel central no equilíbrio político e militar do país.