Israel ameaça movimento libanês Hezbollah por ataques na Páscoa judaica
O Governo israelita ameaçou hoje que vai fazer o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah pagar "um preço extraordinariamente alto" por intensificar os ataques durante a Páscoa judaica.
"Vão pagar um preço extraordinariamente alto pela intensificação dos disparos de foguetes contra civis israelitas enquanto estes se reuniam para celebrar o Seder de Pessach", o jantar tradicional da Páscoa judaica, disse o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, numa mensagem de vídeo dirigida ao líder do Hezbollah, Naim Qassem .
"Serão relegados para as profundezas do inferno ao lado de Nasrallah, Khamenei e Sinouar", prosseguiu, referindo-se ao antigo líder do Hezbollah Hassan Nasrallah, ao ex-líder supremo do Irão Ali Khamenei e ao antigo líder do movimento islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza Yahya Sinouar, todos mortos por Israel.
O Hezbollah reivindicou uma série de disparos com foguetes contra o norte de Israel na quarta-feira, dia em que começou a Páscoa Judaica (Pessach).
O Pessach, também conhecido como "Festa da Libertação", significa "ultrapassar" ou "passar por cima" em hebraico e celebra a história bíblica da libertação dos hebreus do Egipto.
Katz reiterou que as forças israelitas que combatem no sul do Líbano "vão limpar a zona do Hezbollah e apoiantes, manter uma presença até ao [rio] Litani e desmantelar as capacidades militares do Hezbollah em todo o Líbano".
O rio Litani fica situado a cerca de 30 quilómetros desde a fronteira de Israel com o Líbano, uma área que Telavive confirmou ainda esta semana que pretende ocupar mesmo depois do fim do conflito.
Na sequência do conflito entre Israel e Hamas, que faz hoje um mês desde que começou, o Governo libanês denunciou a expansão em grande escala de Telavive no território.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, alertou que Israel tem objetivos importantes no Líbano e prometeu intensificar os esforços diplomáticos para travar o conflito, quando se assinala um mês desde o início das novas hostilidades.
"As posições dos responsáveis israelitas e as práticas do exército mostram objetivos de grande alcance", afirmou Salam, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Entre os objetivos, Salam acusou Israel de pretender "uma expansão significativa da ocupação do território libanês" e aludiu a "declarações perigosas sobre o estabelecimento de zonas de amortecimento ou de segurança".
"O Líbano tornou-se vítima de uma guerra cujo desfecho e data de conclusão são imprevisíveis", disse Salam num discurso televisivo.
O Hezbollah atacou Israel em 02 de março em apoio ao Irão, sob uma ofensiva de Telavive e Washington, iniciada a 28 de fevereiro.
Em resposta, Israel tem bombardeado o Líbano e avançado sobre o sul do país, bastião do Hezbollah.
Os ataques israelitas já mataram mais de 1.300 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.
Entre domingo e segunda-feira, três soldados indonésios da força de paz das Nações Unidas no Líbano (FINUL) foram mortos devido aos confrontos, o que levou a França a requisitar uma reunião do Conselho de Segurança da ONU que se realizou na terça-feira.
Uma fonte de segurança da ONU, citada pela agência de notícias France-Presse, afirmou que um dos "capacetes azuis" da FINUL foi morto por um disparo de um tanque israelita na segunda-feira e os dois outros soldados tinham morrido na explosão de uma mina.
A ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos mais recentes incidentes mortais.
Pelo menos nove soldados israelitas morreram desde o início do conflito com o Hezbollah.