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Deputados constituintes sentiram-se insultados por Ventura

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Foto Lusa

Os deputados constituintes Helena Roseta e António Mota Prego justificaram hoje a decisão de abandonar as galerias do hemiciclo por se terem sentido insultados pelo líder do Chega e acusaram-no de falta de educação.

Em declarações aos jornalistas no final da sessão, Helena Roseta considerou que "a questão não é os discursos, a questão é a maneira como os deputados se comportam", e que a bancada do Chega queria "provocar este tumulto".

A parlamentar acusou André Ventura de ter insultado os constituintes que foram convidados a assistir à sessão solene comemorativa dos 50 anos da Constituição, razão pela qual decidiu abandonar a sala.

"Instantaneamente saiu-me um comentário que é uma quadra popular: não se sabem comportar, só armam confusão, não podemos suportar, tanta má criação. A leitura que eu faço disto já não é só política, não são maneiras de os deputados se comportarem", afirmou.

Helena Roseta, eleita para a Assembleia Constituinte pelo PPD, recordou que houve vários momentos de "grande tensão" nessa altura e, quando isso acontecia, os trabalhos eram interrompidos, defendendo que pode ser uma solução para casos como o de hoje.

"Os deputados têm que saber comportar-se, é o mínimo. São eleitos para fazerem o seu trabalho legislativo, são eleitos para representarem os cidadãos, e eu tenho a certeza absoluta que os cidadãos não se comportam assim, a não ser que pertençam a uma claque violenta de futebol ou estejam mais ou menos embriagados numa tasca", criticou.

O primeiro a protestar o discurso de André Ventura foi António Mota Prego, eleito para a Assembleia Constituinte pelo PS, que se levantou para "lavar a honra dos deputados constituintes" e dizer que o presidente do Chega estava a ser "insultuoso".

Também em declarações aos jornalistas, classificou a atitude do líder do Chega como "uma falta de consideração, uma falta de respeito, até uma atitude pouco democrática e, sobretudo, uma total falta de educação". 

"Como nós, constituintes, além de sermos ex-constituintes, somos também deputados honorários, achei que tinha direito a fazer algum aparte, de alguma forma, [que] rebatesse aquilo que André Ventura estava a dizer", justificou António Mota Prego.

Este deputado constituinte foi um dos que abandonou as galerias enquanto André Ventura discursava.

"Abandonei as galerias porque vi os meus colegas todos a fazê-lo e achei que também o devia fazer. Mas o que eu achava é que abandonar só as galerias era fugir à batalha. E, portanto, achei que não podia fazer isso sem ter tomado uma qualquer atitude de combate àquela ofensa que nos estava a ser feita", defendeu.

Alguns deputados constituintes presentes na sessão solene comemorativa do 50.º aniversário da Constituição, entre os quais Helena Roseta e Jerónimo de Sousa, abandonaram as galerias do parlamento durante a intervenção do líder do Chega, depois de André Ventura ter dito que houve cidadãos "assassinados por grupos terroristas patrocinados" por "muitos desses deputados da constituinte".

 Depois de pedir desculpa pela "falta de cortesia" devida à Assembleia da República, Ventura perguntou "o que dirão as gerações futuras" quando souberem que "um parlamento amnistiou um grupo terrorista de esquerda que tinha na sua lista mortes de bebés, seres humanos, casais, às mãos da extrema-esquerda".

Depois destas palavras, alguns dos constituintes convidados para a sessão levantaram-se em protesto e deixaram a sala.

Quando Ventura terminou a sua intervenção, os constituintes regressaram e os deputados do Chega protestaram, tendo sido repreendidos pelo presidente da Assembleia da República, pedindo que se contivessem na gesticulação que "não dignifica este parlamento".

José Pedro Aguiar-Branco recordou que os deputados constituintes estão na sessão "a convite da Assembleia da República".

A reentrada destes antigos deputados valeu uma ovação de pé das bancadas, à exceção de Chega e do CDS-PP.