A Ciência como alicerce do Bem Estar Social
No próximo dia 7 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Saúde sob um lema que é, simultaneamente, um convite e um alerta: “Juntos Pela Saúde, Apoie a Ciência”. Num mundo que ainda recupera das cicatrizes de uma pandemia global, que está experienciando várias guerras com impactos globais, esta mensagem não poderia ser mais oportuna. Ela recorda-nos que a saúde não é uma realidade estática e isolada, mas o resultado da interação dos vários ecossistemas que une humanos, animais e o ambiente, dando origem ao conceito de “Saúde Única”.
Importa recordar que mais de 60% das doenças infeciosas nos indivíduos tem origem animal, e que três em cada quatro doenças emergentes resultam da interação entre os três fatores anteriormente referidos, pelo que é fundamental uma abordagem colaborativa e interdisciplinar para prevenir pandemias, garantir a qualidade e a segurança alimentar, cuidar do clima, assim como combater várias ameaças como a resistência aos antibióticos.
A experiência pós-pandémica deixou-nos uma lição agridoce. Por um lado, a ciência operou o prodígio de desenvolver vacinas em tempo recorde, por outro, assistimos à ascensão vertiginosa da diversificação e excesso de informação aumentando a dificuldade em distinguir factos de falsidades e o acesso a fontes confiáveis de comunicação assim como o acesso a orientações credíveis e seguras.
Vivemos tempos estranhos em que o algoritmo das redes sociais parece ter mais autoridade do que décadas de investigação clínica. As “fake news” não são apenas mentiras inofensivas, elas criam realidades paralelas que alimentam a hesitação vacinal e a rejeição de tratamentos fundamentais, colocando em risco os ganhos em saúde alcançados e a imunidade de grupo que tanto custou a conquistar.
Hoje, apoiar a ciência significa acima de tudo, resgatar a confiança pública, exigindo que a tomada de decisão política seja blindada por evidências científicas e não por conveniências de curto prazo. Quando negamos o método científico, ficamos à deriva num mar de incertezas onde os mais vulneráveis são sempre os primeiros prejudicados.
Robustecer os sistemas locais de saúde é um imperativo ético, criar parcerias globais é uma estratégia de sobrevivência. A degradação dos ecossistemas é uma condição que poderá acelerar a próxima crise sanitária. A saúde nas suas diversas vertentes é um pilar fundamental que sustenta a saúde humana, pelo que proteger a ciência é também apoiar a sustentabilidade e a biodiversidade do planeta.
Ao nível local, o impacto destas políticas sente-se na farmácia, na sala de espera do centro de saúde e na qualidade do ar que respiramos.
O apelo “Juntos Pela Saúde” não se esgota nas instituições; ele começa em cada um de nós quando escolhemos as fontes de informação credíveis e quando valorizamos o papel dos profissionais de saúde e dos investigadores credenciados.
Construir um futuro mais seguro exige coragem para enfrentar o negacionismo e humildade para aceitar que a ciência é um processo em constante evolução e que continua a ser a nossa melhor ferramenta de proteção.
No Dia Mundial da Saúde, que o nosso apoio à ciência se traduza em ações concretas com mais investimento, menos preconceito e uma mobilização global que não deixe ninguém para trás. Pela nossa saúde, pela ciência, pelo nosso futuro comum.