Quem não arrisca não petisca
Prometo, desde já, que este texto não é sobre gastronomia, nem sobre restaurantes, para muita pena minha.
O título vem apenas de um velho provérbio que continua muito atual: quem não arrisca dificilmente chega a algum lado.
Fez, recentemente, 30 (!) anos que escrevi pela primeira vez para o Diário. Na altura estava a estudar na Suécia. Longe da ilha, da família e das rotinas habituais, mas com a Madeira sempre muito presente.
Num impulso, decidi escrever uma carta para a redação. Disse que gostava de escrever e que estaria interessado em colaborar. E, já agora, acrescentei que tinha vários artigos preparados...
A verdade? Ainda não tinha escrito nenhum.
Algum tempo depois e com muita surpresa, recebi, mesmo, um telefonema da Madeira. Do outro lado da linha agradeceram o contacto e convidaram-me a enviar os textos. Foi assim, de forma simples e inesperada, que começou uma ligação que já dura há três décadas.
Ao longo destes anos fui escrevendo sobre diferentes temas: viagens, ideias, marketing, turismo e, muitas vezes, sobre a própria Madeira.
Curiosamente, a minha vida profissional acabaria também por seguir caminhos muito próximos deste universo da comunicação. Grande parte do meu percurso desenvolveu-se nas áreas do marketing e do turismo — sectores onde contar histórias, criar ligações, promover lugares e juntar conhecimento com a experiência faz toda a diferença.
Ao longo do tempo tive a oportunidade de trabalhar em projetos ligados à promoção da Madeira, a marcas de referência da Madeira, ao desenvolvimento de experiências turísticas e à valorização daquilo que torna esta ilha especial. No fundo, marketing, turismo e escrita têm algo em comum: todos procuram despertar curiosidade, criar ligações e aproximar pessoas de lugares ou produtos.
Quando olho para trás, percebo que tudo começou com um gesto simples: tomar iniciativa.
Não havia garantias. Não havia certezas. Apenas a vontade de tentar.
Lembro-me de uma frase de Steve Jobs: “As pessoas suficientemente loucas para acreditar que podem mudar alguma coisa são normalmente aquelas que acabam por fazê-lo.” Talvez, naquele momento, tenha tido apenas uma pequena dose dessa “loucura” — a de acreditar que valia a pena tentar.
Passados 30 anos, a mensagem que me apetece deixar, sobretudo aos mais novos, é precisamente essa: arrisquem. Tomem iniciativa. Não esperem sempre que alguém vos convide ou abra a porta. Muitas vezes somos nós que temos de dar o primeiro passo.
Porque muitas vezes só arriscando é que descobrimos do que somos realmente capazes e, só arriscando é que poderemos vir a ser bem-sucedidos.
Nem sempre as coisas correm como esperamos. Mas muitas vezes é desse primeiro passo que nascem caminhos que nunca imaginamos.
Se há 30 anos alguém me dissesse que aquela carta enviada da Suécia iria dar origem a uma ligação tão longa com o Diário, provavelmente não teria acreditado.
Mas às vezes basta isso: ter a coragem de arriscar.
Porque, no fundo, quem não arrisca… não petisca.