Nobel da Paz iraniana Narges Mohammadi está em estado grave na prisão
A iraniana Nobel da Paz Narges Mohammadi, que se encontra presa no Irão, está em estado "grave", depois da crise cardíaca que sofreu em março, avisaram hoje apoiantes seus.
A sua família baseada no Irão e a sua equipa jurídica foram autorizadas a fazer-lhe, no sábado, uma segunda visita na prisão onde está presa, no norte do Irão, "durante a qual foram evidentes os sinais da degradação do seu estado geral, com o seu estado físico a ser qualificado de grave", indicou a sua fundação, em comunicado.
"A continuação desta situação faz pesar sobre a vida de Narges Mohammadi um risco imediato e irreparável", denunciou a organização.
Durante uma primeira visita dos seus apoios, no final de março, soube-se que tinha sofrido uma crise cardíaca nesse mesmo mês.
Desde então, Narges Mohammadi "enfraqueceu extremamente e registou uma perda de peso significativa", disse o seu irmão, Hamidreza Mohammadi, baseado na Noruega, citado no comunicado.
Ela "está detida em uma célula com presos acusados de assassínio e já foi ameaçada de morte por várias vezes por alguns destes co-detidos", acrescentou.
Narges Mohammadi, que teve mais de duas décadas de militantismo recompensadas com o Prémio Nobel da Paz em 2023, foi detida em 12 de dezembro em Mashhad, no leste, depois de ter criticado as autoridades religiosas iranianas durante uma cerimónia funerária.
Em fevereiro foi transferida para a prisão de Zanjan, tendo os contactos muito limitados e reduzidos à família.
Nos últimos 25 anos, Mohammadi foi por várias vezes detida e condenada, pela sua contestação à pena de morte e ao estrito código de vestuário imposto às iranianas.
A sua última detenção ocorreu antes do início de um vasto movimento de contestação contra o poder iraniano, o qual foi fortemente reprimido em janeiro, o que causou milhares de mortes.
Em fevereiro, foi condenada a mais seis anos de prisão por atentar contra a segurança nacional e a um ano e meio por propaganda contra o sistema islâmico do Irão. Na altura fez uma greve de fome, durante uma semana, para exigir o direito de telefonar.