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Papa defende convivência pacífica apesar das diferenças ao concluir visita à Argélia

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O Papa Leão XIV afirmou hoje que é possível vivermos todos em paz apesar das diferenças, defendendo que é esta a mensagem que "o mundo precisa de ouvir", ao concluir uma visita à Argélia.

Leão XIV falava durante o voo entre a Argélia e Yaoundé, capital dos Camarões, a paragem seguinte de um périplo de 10 dias em África que inclui ainda Angola e Guiné Equatorial.

Ao saudar os jornalistas a bordo, o pontífice defendeu a necessidade de viver em harmonia, com "respeito de todos por todos".

O Papa considerou que a passagem pela Argélia permitiu "construir pontes para promover o diálogo", destacando como significativa a visita a uma mesquita.

Segundo afirmou Leão XIV, a visita demonstrou que, apesar de diferenças religiosas e culturais, é possível viver em conjunto de forma pacífica.

"É isto que o mundo precisa de ouvir hoje, e juntos podemos continuar a oferecer o nosso testemunho", concluiu o líder da Igreja Católica.

Nos últimos dias, Leão XIV tem sido alvo de fortes críticas por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Na terça-feira, em declarações por telefone ao diário italiano Corriere della Sera, Trump afirmou que o Papa "não faz ideia do que se está a passar no Irão".

Segundo Trump, Leão XIV não entende que o Irão representa uma ameaça nuclear.

"Ele não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado", argumentou o chefe de Estado norte-americano.

No domingo, Trump já tinha afirmado que o Papa norte-americano era "péssimo em política externa", numa referência às críticas à atuação dos Estados Unidos no Irão e na Venezuela, e instou-o a "parar de bajular a esquerda radical".

"O Papa Leão é fraco em relação ao crime e péssimo em política externa", escreveu Trump na sua rede social, numa longa mensagem em que o instava a "concentrar-se em ser um grande Papa, não um político", porque "está a prejudicar a Igreja Católica".

No seguimento destas declarações, o chefe da Igreja Católica respondeu a Trump que "o evangelho é claro" e que "a Igreja tem a obrigação moral de ser contra a guerra".

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reagiu na segunda-feira às palavras de Trump, que classificou como inaceitáveis, observando ser normal que o chefe da Igreja Católica "condene todas as formas de guerra".