Presidente húngaro vai convocar novo parlamento no início de Maio
O Presidente húngaro, Tamás Sulyok, vai convocar o parlamento resultante das eleições de domingo no início de maio, anunciou hoje o conservador Péter Magyar, vencedor do escrutínio, após um encontro entre ambos.
Sulyok indicou que "a sessão constitutiva da Assembleia Nacional poderá ter lugar, o mais cedo, a 04 de maio, após o fim de semana prolongado do 01 de maio", disse Magyar à saída do palácio presidencial.
O Presidente admitiu que, "na realidade, as datas mais prováveis são os dias 06 ou 07 de maio", acrescentou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Magyar confirmou que durante o encontro de 40 minutos no Palácio Sándor, em Budapeste, Sulyok o encarregou de formar um governo, por ter sido o vencedor das eleições legislativas.
"Agradeci o convite e, em seguida, o Presidente informou-me sobre a ordem do dia da sessão da Assembleia Nacional", afirmou em declarações recolhidas pelo jornal digital Telex e citadas pela agência espanhola Europa Press (EP).
"Tendo em conta o resultado eleitoral inequívoco, informei previamente o senhor Péter Magyar de que, em conformidade com as minhas funções previstas na Lei Fundamental, o irei propor oficialmente para o cargo de primeiro-ministro na sessão constitutiva da Assembleia Nacional", afirmou Sulyok nas redes sociais.
Magyar, 45 anos, líder do partido Tisza, venceu as eleições com uma maioria esmagadora, ao conquistar 138 dos 199 deputados da Assembleia Nacional da Hungria.
A vitória do Tisza pôs fim a 16 anos de poder do ultranacionalista Viktor Orbán, apoiante dos presidentes russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Donald Trump, cujo partido Fidesz se ficou pelos 55 deputados.
Logo após a vitória, Magyar exigiu a demissão do Presidente da República, e disse tê-lo feito hoje pessoalmente no encontro privado com Sulyok.
"Repeti-lhe que, aos meus olhos e aos olhos do povo húngaro, ele é indigno de encarnar a unidade da nação húngara, incapaz de zelar pelo respeito da lei", afirmou.
Magyar disse que, caso o chefe de Estado não saia voluntariamente, o novo governo irá alterar a Constituição para o demitir, "assim como a todas as marionetas nomeadas pelo sistema Orbán para postos-chave".
Numa entrevista hoje à rádio pública Kossuth antes do encontro com o Presidente, Magyar prometeu encerrar os serviços de notícias dos meios de comunicação social públicos controlados até agora pelo Governo cessante de Orbán.
"Depois de formar governo, uma das primeiras medidas será suspender o serviço de notícias deste meio propagandístico", afirmou Magyar, citado pela agência espanhola EFE.
Magyar considerou que durante os 16 anos de poder de Orbán, os noticiários dos meios públicos funcionaram de uma maneira que "teria encantado Goebbels [Joseph, ministro da Propaganda do Terceiro Reich] e a Coreia do Norte".
Denunciou que, apesar de ter sido o claro líder da oposição, com o Tisza favorito nas sondagens, a televisão pública húngara não o convidou uma única vez, não só durante a campanha eleitoral, mas desde há mais de um ano e meio.
O Tisza obteve 52% dos votos, enquanto o Fidesz conseguiu 40%. Devido ao complexo sistema eleitoral, o partido de Magyar terá uma maioria de dois terços no parlamento, o que facilitará a realização das reformas prometidas.
Magyar disse que o novo parlamento redigirá uma nova lei de imprensa que, entre outros pontos, determinará que os meios públicos "devem servir os húngaros".
Orbán, primeiro-ministro desde 2010, cimentou o poder através de legislação que centralizou o Estado.
A entrevista de hoje decorreu num ambiente tenso, com o repórter a interromper Magyar repetidamente, noticiou a EFE.
A situação contrastou com os habituais programas da mesma rádio nos quais Orbán falou, durante anos e regularmente a cada sexta-feira, sem enfrentar perguntas incómodas ou ser interrompido.