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Guerra no Irão Mundo

Espanha "nega categoricamente" considerar cooperar com EUA

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Foto Arquivo/Shutterstock

O Governo espanhol negou ontem qualquer intenção de cooperar militarmente com os Estados Unidos na guerra contra o Irão, afirmando manter a recusa de utilização pelas aeronaves norte-americanas de bases em Espanha.

"A nossa posição mantém-se absolutamente inalterada e nego categoricamente qualquer mudança", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, à rádio Cadena Ser, momentos depois de a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ter declarado que Espanha tinha concordado em "cooperar com as Forças Armadas norte-americanas".

"No que diz respeito a Espanha, creio que ouviram ontem [terça-feira] alto e bom som a mensagem do Presidente e, segundo entendi, nas últimas horas aceitaram cooperar com as Forças Armadas norte-americanas", disse Leavitt aos jornalistas.

Na terça-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, criticou duramente o Governo espanhol, de esquerda, por recusar o pedido do Pentágono para a utilização pelos caças norte-americanos das bases militares no sul de Espanha, ameaçando um embargo comercial ao país europeu.

O chefe da diplomacia espanhola mostrou-se irredutível, sublinhando: "A posição do Governo de Espanha sobre a guerra no Médio Oriente, os bombardeamentos no Irão e o uso das nossas bases não mudou nem uma vírgula".

Por seu lado, o Presidente do Irão, Massud Pezeshkian, elogiou o Governo espanhol pela "conduta responsável", por se "opor às flagrantes violações de direitos humanos e à agressão militar dos Estados Unidos e de Israel" ao país.

"A conduta responsável de Espanha, ao opor-se às flagrantes violações dos direitos humanos e à agressão militar da coligação sionista-norte-americana contra países como o Irão, demonstra que a ética e a consciência ainda existem no Ocidente. Felicito as autoridades espanholas pela sua posição", afirmou Pezeshkian numa mensagem publicada nas redes sociais.

Isto, depois de Trump ter ameaçado "cessar todo o comércio" com Espanha por não permitir a utilização das bases militares de Rota e Morón na operação contra Teerão.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reafirmou a posição, declarando que Espanha não será "cúmplices de algo que é mau para o mundo, simplesmente por medo de represálias".

Sánchez reiterou a rejeição do "terrível regime dos 'ayatollah'" no Irão, mas argumentou que "não se pode responder a uma ilegalidade com outra" e, por isso, apelou para fim das hostilidades e uma solução diplomática para o conflito.

Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", tendo matado o líder supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.

O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país após a morte de Khamenei.

Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

Segundo as autoridades iranianas, os ataques israelitas e norte-americanos causaram, até agora, mais de mil mortos. Os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares norte-americanos.

Trump afiançou que a ofensiva ao Irão vai continuar por mais algumas semanas, até que todo o programa de mísseis, Marinha e capacidade nuclear sejam destruídos, e avisou que a "grande onda" de ataques ainda não foi lançada e pode chegar "muito em breve".