Federação Internacional de Direitos Humanos insta ONU a proteger civis
A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) acusou hoje Estados Unidos, Israel e Irão de "violações do direito internacional humanitário" e instou os membros da ONU a adotarem medidas para proteger a população civil.
"As ações dos Estados Unidos e de Israel constituem, mais uma vez, uma violação do direito internacional relativo à legítima defesa e do direito internacional humanitário", asseverou, em comunicado, a FIDH, cuja sede está em Paris.
Para a organização, os ataques israelo-norte-americanos só serviram para "desestabilizar ainda mais a região" do Médio Oriente, ao atingirem a população civil e as infraestruturas da zona.
Neste sentido, a FIDH considerou que os ataques levados a cabo pelo Irão, "em represália contra infraestruturas civis" constituem igualmente "uma violação do direito internacional humanitário" e devem ser também "condenados explicitamente".
A federação pro-direitos humanos denunciou que "pelo menos 175 pessoas", entre as quais uma maioria de crianças, morreu na sequência de um ataque numa escola primária em Minab, no sul do Irão.
"Entretanto, os ataques iranianos em represália tiveram como objetivo não apenas bases militares norte-americanas na região, mas também hotéis e edifícios no Barém, no Qatar, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait", advertiu a FIDH.
Assim, pediu aos estados membros das Nações Unidas que ponham em marcha mecanismos pertinentes de direitos humanos que garantam "a proteção da população civil, a abertura de investigações independentes, a preservação de provas e o acesso aos canais de justiça".
"Uma transição democrática no Irão deve basear-se em meios legais e dentro de um quadro multilateral", concluiu o organismo.
Israel e os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".
O Irão confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989, e decretou 40 dias de luto.
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques de Israel e dos Estados Unidos já fizeram 787 mortos desde sábado.
O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.