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Madeira

"A excelência [na formação] não acontece por acaso. A excelência constrói-se"

A formação é "um pilar estratégico" para o sector do turismo. Debate 'Formar o Futuro', no âmbito da 3.ª Gala do Guia Michelin, analisa desafios do sector turístico

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Foto Rui Silva/Aspress

No âmbito do evento da 3.ª Gala do Guia Michelin dedicada exclusivamente a Portugal, o Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, acolhe, esta manhã, o debate subordinado ao tema ‘Formar o Futuro’.

Com o apoio do Turismo de Portugal e da Associação de Promoção da Madeira, a sessão incide sobre os desafios da formação num sector em constante evolução, particularmente exigente e competitivo como o da restauração.

O painel, moderado por Ricardo Miguel Oliveira, director geral editorial do DIÁRIO, junta especialistas com diferentes percursos e responsabilidades no ecossistema da hotelaria e gastronomia, promovendo uma reflexão alargada sobre a preparação das novas gerações de profissionais.

Octávio Freitas - Chef do Restaurante Desarma, 1 Estrela MICHELIN 2025; Noélia Reis – Assessora de Administração da Savoy Signature, Responsável pela Área de Recursos Humanos; Catarina Paiva – Vogal do Conselho Directivo do Turismo de Portugal; Fernando Figueiredo – Director da Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira; Leonor Pinto - Aluna da Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira; e Carlos Díez de la Lastra – CEO da Escuela Internacional de Les Roches dão voz ao debate.

A abrir a conversa, o Chef do Restaurante Desarma começou por dar conta do "orgulho" por ser da Madeira e por poder aqui desempenhar a sua carreira. Disse que é importante que as empresas se responsabilizem pela formação. Não é algo "acessório", mas algo fundamental. "Quem cria a necessidade tem de se responsabilizar pela formação", apontou, considerando que não poderão ser apenas as escolas ou até o Governo a assumirem estas necessidades.

Noélia Reis, da Savoy Signature, considerou que a excelência não acontece por acaso. A excelência constrói-se. "A formação é um pilar estratégico". O grupo tem um programa de formação a decorrer, desde áreas técnicas a áreas comportamentais. "O nosso cliente, quando chega aos nossos hotéis, está à procura daquele factor 'uau'".

Catarina Paiva, na sua intervenção, falou de um sector da hotelaria que tem atingido resultados históricos nos últimos anos e impulsionado outros sectores. Mas é também um sector "com dores de crescimento", sendo um desafio a qualificação dos recursos humanos. O facto de Portugal ser apontado como um dos melhores destinos turísticos do Mundo "traz responsabilidade acrescida". Apontou, ainda assim, que a formação é apenas um dos aspectos.

O responsável pela Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira abordou a questão do menor número de alunos, a começar desde logo pela questão demográfica. Fernando Figueiredo explicou que a estratégia passa por motivar os alunos e pela interacção com a comunidade empresarial. Deixou algumas notas sobre as técnicas que envolvem os alunos, bem assim sobre as novas necessidades sociais, como é o caso da sustentabilidade.

Para a futura profissional, Leonor Pinto, esta área está cheia de possibilidades. Apesar de ciente das dificuldades, na sua intervenção, manisfestou o desejo de "abrir o próprio negócio" na área da pastelaria e de continuar a apostar na formação, algo que no seu entender "faz a diferença" para qualquer profissional do mercado.

O debate deu voz ainda a Carlos de lá Lastra. O turismo é Portugal é um dos mais marcantes. "O país está numa atitude de apoio ao turismo muito relevante". Sobre a formação em si, e por estar presente em mais de dezenas de países, disse que a formação é uma preocupação geral. São poucos os que estão preparados para responder às necessidades de futuro.

Para o CEO da Escuela Internacional de Les Roches, o sector precisa de "uma reforma" porque continua a haver interesse dos jovens, mas é preciso também repensar os salários e os horários.

Os intervenientes falam sobre a necessidade de olhar para o sector do turismo, nas suas variadas vertentes, numa óptica de diferentes motivações. "Hoje em dia os salários, comparativamente há dez anos, estão bem melhores", mas não é isso o mais importante. "Há também uma questão motivacional", assumiu, por exemplo, Octávio Freitas.

O debate continua com a discussão sobre a necessidade de reduzir a carga horária para responder também às expectativas dos profissionais. Todavia, "não temos no mercado pessoas suficientes" para o crescimento do sector, apontou Noélia Reis.