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Ex-PR francês Sarkozy recorreu e volta a tribunal por financiamento líbio

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O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy regressou hoje a tribunal para o primeiro dia do julgamento de recurso do caso do alegado financiamento líbio da campanha presidencial de 2007, com dinheiro do regime de Tripoli então liderado por Muammar Kadhafi.

O caso regressa aos tribunais depois de Sarkozy ter recorrido da condenação em primeira instância, na qual foi considerado culpado.

Condenado a cinco anos de prisão, dos quais Sarkozy cumpriu três semanas, esta foi a sentença mais severa proferida até agora contra o ex-presidente, que ocupou o Palácio do Eliseu entre 2007 e 2012, sendo que também tem duas condenações, confirmadas pelo Supremo Tribunal, a prisão domiciliária.

O caso do financiamento líbio, pelo qual foi condenado por conspiração criminosa, é, sem dúvida, o mais constrangedor no seu já extenso historial judicial, como demonstra o facto de ter sido o primeiro ex-chefe de Estado da União Europeia a ser preso para cumprir uma pena criminal.

O tribunal considerou provado que existiu um "pacto de corrupção" ao longo de 2005 entre emissários do então ministro do Interior e altos responsáveis do regime líbio.

Embora não houvesse provas dos alegados pagamentos à campanha de Sarkozy revelados por várias testemunhas, os juízes consideraram a intenção suficiente.

Sarkozy, de 70 anos, esteve preso entre 21 de outubro e 10 de novembro de 2025, antes de ser libertado sob fiança devido à sua idade.

Dois dos seus aliados políticos mais próximos - o ex-secretário-geral do Eliseu e ex-ministro do Interior Claude Guéant e o também ex-ministro do Interior e amigo de longa data de Sarkozy Brice Hortefeux - foram condenados por se terem reunido com Abdallah Senoussi, genro de Khadafi e segundo homem mais poderoso do regime de Tripoli.

De acordo com a acusação, Senoussi estaria disposto a injetar grandes somas de dinheiro --- até 6,5 milhões de euros --- em troca de não ser condenado a prisão perpétua pelo atentado bombista de 1989 contra um avião comercial, que matou 170 pessoas, 54 das quais francesas.

Para o julgamento de recurso, o tribunal da Île de la Cité vai reavaliar, até 03 de junho, os testemunhos que levaram à condenação de Sarkozy.

Embora o ex-presidente tenha negado qualquer conhecimento destes encontros durante o julgamento inicial, os juízes consideraram improvável que os dois homens, seus amigos pessoais e colaboradores próximos, não os tivessem relatado.

O ex-presidente manteve sempre a sua alegação de inocência, acusando os juízes de procurarem vingança pelos anos em que esteve no poder, período em que não cooperou com a justiça.