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Guerra no Irão Mundo

Presidente iraniano acusa EUA e Israel de tentarem enfraquecer países islâmicos

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O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, acusou hoje Israel e Estados Unidos de procurarem desintegrar o Irão e enfraquecer os países islâmicos, num telefonema com o homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, que condenou os ataques iranianos na região.

"Os Estados Unidos e o regime sionista [Israel] estão a perseguir intenções e objetivos sinistros visando enfraquecer o Irão e os principais países islâmicos", disse Pezeshkian, segundo a presidência iraniana, num dia em que altos dirigentes iranianos marcharam em Teerão, numa demonstração de unidade e desafio aos ataques aéreos israelo-americanos, iniciados em 28 de fevereiro.

Na conversa telefónica, o chefe de Estado agradeceu ao homólogo egípcio por "se opor à guerra, à instabilidade e à insegurança na região", no seguimento da ofensiva.

"Apoiamos qualquer iniciativa que reforce a unidade e a coesão", declarou o Presidente do Irão, que respondeu aos bombardeamentos israelo-americanos com ataques aéreos contra países da região que albergam instalações militares dos Estados Unidos, visando as suas bases e infraestruturas, sobretudo as energéticas, enquanto colocaram sob ameaça o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, fazendo disparar o preço do petróleo.

Al-Sisi aproveitou a chamada com Pezeshkian para condenar os ataques do Irão contra os países do Golfo.

"Estes países não apoiaram nem participaram na guerra contra o Irão, mas antes contribuíram para os esforços de redução das tensões e apoiaram as negociações entre o Irão e os Estados Unidos para alcançar uma solução diplomática", segundo um comunicado da presidência egípcia.

Al-Sisi afirmou ainda que o Egito defende o princípio da "boa vizinhança" e pediu o fim imediato destes ataques, expressando ainda a sua "grave preocupação" com a situação atual no Médio Oriente e com "o bem-estar da população" da região.

Além disso, as partes discutiram possíveis formas de pôr fim à escalada desta crise e o papel do Egito de "fazer todos os esforços para mediar e priorizar soluções políticas e diplomáticas".

No 14.º dia de guerra, alguns dos mais altos dirigentes iranianos desafiaram as ameaças israelitas e norte-americanas e marcharam hoje pelo centro de Teerão, apesar de uma explosão perto do percurso, que não interrompeu o evento.

Entre os presentes estavam o próprio Masoud Pezeshkian, o chefe do sistema judiciário, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi.

Ao longo dos bombardeamentos na República Islâmica, vários elementos do poder iraniano foram mortos, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei, num ataque realizado logo no primeiro dia da ofensiva, ferindo também o seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde então.

Segundo os meios de comunicação social iranianos, Pezeshkian marchou durante parte do percurso sem guarda-costas, entoando 'slogans' como "Morte a Israel" e "Morte à América".

A reação dos manifestantes quando Teerão foi bombardeada hoje "é um pesadelo para os agressores", comentou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.

"Devemos permanecer com o povo e estar ao lado do povo até ao nosso último suspiro e até ao nosso último momento, perante a arrogância e aqueles que agem como faraós", disse, por seu lado, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, segundo a agência de notícias Tasnim.

Para Ali Larijani, o ataque na rota da marcha "demonstra o seu desespero".

O alto responsável pela segurança da República Islâmica criticou ainda duramente o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que "não é suficientemente inteligente para perceber que o povo iraniano é maduro, forte e determinado" e que, quanto maior for a pressão dos Estados Unidos, "maior será a determinação".

Os manifestantes, na maioria apoiantes do regime teocrático, prosseguiram até ao final da marcha num dia simbólico para o sistema clerical, uma vez que o Dia de Quds foi instituído em 1979 pelo seu fundador, Ruhollah Khomeini, em apoio da Palestina.