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Madeira

Plataforma para monitorizar pragas vai chegar aos agricultores da Madeira

O projecto PESTDISLAT-2CAP está a ser apresentado esta manhã, no Colégio dos Jesuítas.

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A Madeira passa a contar com uma plataforma que permite a monitorização das pragas, por forma a que os agricultores possam ter uma acção preventiva em relação às mesmas. As alterações climáticas vieram potenciar o aparecimento de novas pragas e a permanência das mesmas ao longo de todo o ano.

O projecto PESTDISLAT-2CAP conta com uma plataforma desenvolvida nos Açores e que tem também implementação em Cabo Verde, sendo que agora chega também à Madeira. No fundo, o que se pretende é condensar os dados meteorológicos e de monitorizações já existentes numa única plataforma, permitindo uma previsão de condições potenciais para o aparecimento de pragas que podem afectar a agricultura.

Miguel Ângelo Carvalho, coordenador do ISOPlexis da Universidade da Madeira, explica que a monitorização, na Madeira, tem sido feita pelos serviços do Governo Regional, mas que esta informação está fragmentada. “Alguma informação está nos serviços e outra na Universidade, sendo que a ideia é utilizar essa plataforma, que vai ser disponibilizada pelos Açores e por uma empresa do Continente, para ser usada pela Madeira”, indica.

A informação que será inserida na plataforma resulta de trabalhos de campo sobre as pragas que podem afectar as culturas, do ponto de vista económico. Adicionalmente, há uma rede de estações meteorológicas, cujos dados também serão descarregados na plataforma.

O objectivo passa por criar alertas digitais sobre potenciais pragas e medidas a tomar, que chegaram tanto às associações de agricultores, como aos próprios agricultores. Esta será uma acção preventiva, que poderá motivar o recurso a bioprotectores e de alguns agroquímicos, caso seja extremamente necessário.

Pragas ‘atacam’ principalmente as frutas

A Madeira já tem vindo a desenvolver trabalhos nesta área, se bem que de forma mais ‘artesanal’. Um dos casos está relacionado com a mosca-da-fruta ‘Drosophila suzukii’, que já demonstrou que a praga entrou localizada na zona do Caniçal e que, devido a condições meteorológicas e por difusão material, disseminou-se por toda a ilha. Há já previsão das zonas onde poderá ter mais incidência, dadas as alterações climáticas.

Miguel Ângelo Carvalho afirma que as pragas que mais preocupam e que, por isso, vão merecer especial atenção são o aranhiço, a mosca-da-fruta e a cochonilha, “que são aquelas que têm um grande impacto em algumas culturas, nomeadamente na produtividade de algumas culturas fruteiras”.

“Com as alterações climática, temos a percepção que as pragas que deveriam ter desenvolvimento numa determinada altura do ano, neste momento têm um ciclo anual e é um combate feito um pouco à posteriori”, assume o investigador.

Há ainda a probabilidade de que entrem outras pragas, nomeadamente uma que já está presente em Cabo Verde, a Bactrocera, ou outra espécie de mosca-da-fruta.

Nuno Maciel frisa maior literacia para prevenção

O secretário regional de Agricultura e Pescas frisou a importância de termos o conhecimento científico, validado, podendo disseminá-lo por quem produz, por forma a combater as pragas e as suas evoluções.

Nuno Maciel lembrou que as pragas são cíclicas e que acontecem, pelo que é importante o “Governo Regional estar associado a esta parceria entre Universidade e do protocolo existente com o ISOPlexis da Universidade da Madeira” e que será renovado ainda este ano.

No fundo, o que se quer é trazer as novas tecnologias, o conhecimento científico e os dados recolhidos para que sejam disseminados e antecipando cenários. Há alguns trabalhos feitos relativamente ao sector da banana, em relação à praga do aranhiço das bananeiras. Há também uma estação meteorológica instalada nas Quebradas, em São Martinho, que resulta deste projecto.

O governante assumiu ainda que a PEPAC será revista em breve, para que sejam abertos avisos. Além disso, haverá mais incentivo a projectos com novas tecnologias e Inteligência Artificial ao serviço da agricultura. “Queremos que estejam presentes, se possível, mas explorações, no bolso dos agricultores e queremos que essa agricultura 4.0 seja uma realidade, no médio prazo, na Região Autónoma da Madeira”.