Hoje assinala-se o Dia Mundial do Sono
Dormir bem é essencial para a saúde. Afinal, passamos cerca de um terço das nossas vidas a dormir, um tempo fundamental para a recuperação física e mental do organismo.
Ainda assim, o descanso continua longe de ser suficiente para muitos portugueses. Mais de metade da população dorme menos de sete horas por noite, o mínimo recomendado para um adulto, segundo especialistas da Associação Portuguesa do Sono. Este défice de sono é considerado um problema de saúde pública, associado ao aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.
Entre as perturbações do sono mais comuns está a apneia obstrutiva do sono, uma perturbação respiratória que afecta milhões de pessoas em todo o mundo e que, muitas vezes, passa despercebida.
Este distúrbio surge com maior frequência entre os 40 e os 60 anos. Estimativas indicam que pode afectar entre 4% e 6% dos homens e 2% a 3% das mulheres, sendo a obesidade um dos principais factores de risco.
Mas afinal, como se manifesta esta doença?
O que é a apneia do sono?
A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas na respiração durante o sono. Estas interrupções ocorrem porque os músculos da garganta relaxam excessivamente e provocam o bloqueio parcial ou total das vias respiratórias, impedindo a passagem normal do ar.
Cada pausa respiratória pode durar mais de 10 segundos e repetir-se várias vezes por hora. Quando isso acontece, o cérebro detecta a falta de oxigénio e envia um sinal para que a pessoa acorde brevemente, reabrindo as vias respiratórias. Muitas vezes estes despertares são tão curtos que passam despercebidos, mas interrompem o ciclo normal do sono, impedindo um descanso profundo e reparador.
Estima-se que milhões de pessoas em todo o mundo sofram desta síndrome, sendo uma das doenças do sono mais frequentes.
Principais sintomas
Os sinais da apneia do sono podem surgir durante a noite ou manifestar-se durante o dia. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Ressonar alto e persistente
- Pausas na respiração durante o sono, muitas vezes observadas por quem dorme ao lado
- Despertares com sensação de sufoco ou engasgamento
- Sono agitado ou não reparador
- Sonolência excessiva durante o dia
- Cansaço constante
- Dores de cabeça ao acordar
- Irritabilidade ou alterações de humor
- Dificuldade de concentração e memória
- Boca seca ao acordar
Em muitos casos, o primeiro sinal é simplesmente o ressonar intenso, que pode evoluir para uma forma mais grave de perturbação respiratória.
Quem está em maior risco?
A apneia do sono pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em alguns grupos. Entre os principais fatores de risco estão:
- Excesso de peso ou obesidade
- Idade avançada
- Sexo masculino
- Pescoço largo ou alterações anatómicas das vias respiratórias
- Amígdalas ou adenoides aumentadas (especialmente em crianças)
- Consumo de álcool
- Tabagismo
- Uso de medicamentos com efeito relaxante muscular
- Predisposição genética
Possíveis complicações
Quando não tratada, a apneia do sono pode ter consequências graves para a saúde. A interrupção repetida da respiração provoca uma oxigenação insuficiente do organismo, aumentando o risco de várias doenças.
Entre as principais complicações estão:
- Hipertensão arterial
- Arritmias cardíacas
- Acidente vascular cerebral (AVC)
- Diabetes
- Insuficiência cardíaca
- Maior risco de enfarte
- Alterações de memória e concentração
Outro risco importante está relacionado com a sonolência diurna, que pode aumentar significativamente a probabilidade de acidentes de viação e acidentes de trabalho.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da apneia do sono deve ser realizado por um médico, normalmente um pneumologista ou otorrinolaringologista.
O diagnóstico da apneia do sono deve ser realizado por um médico, normalmente um pneumologista ou otorrinolaringologista.
A avaliação inclui o historial clínico e a avaliação dos sintomas, seguida de exame físico.
São realizados estudos do sono, como:
- Polissonografia, exame que analisa a atividade cerebral, respiração, batimentos cardíacos e oxigenação durante o sono
- Poligrafia respiratória domiciliária
Estes exames permitem confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da doença.
Tratamento da apneia do sono
O tratamento depende da gravidade da síndrome e das características de cada pessoa.
O tratamento mais frequente é a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).
Este método utiliza um aparelho ligado a uma máscara colocada no nariz ou na face, que envia ar com pressão suficiente para manter as vias respiratórias abertas durante o sono, evitando as pausas respiratórias.
Embora a adaptação possa exigir algum tempo, este tratamento é muito eficaz e pode melhorar significativamente a qualidade de vida.
Outras opções de tratamento
Dependendo do caso, podem ser recomendadas outras soluções, como:
- Dispositivos de avanço mandibular, que ajudam a manter a via aérea aberta
- Cirurgia, em situações específicas
- Remoção das amígdalas ou adenoides em crianças
Mudanças no estilo de vida
Além do tratamento médico, algumas alterações no estilo de vida podem ajudar a melhorar os sintomas:
- Perder peso, quando existe excesso de peso
- Evitar álcool, especialmente antes de dormir
- Não fumar
- Evitar medicamentos sedativos
- Dormir preferencialmente de lado
- Manter horários regulares de sono
- Praticar exercício físico regular
Criar bons hábitos de sono – conhecidos como higiene do sono – pode também contribuir para melhorar a qualidade do descanso.
Neste contexto, a Associação Portuguesa de Sono lembra que pequenas mudanças na rotina podem fazer a diferença:
Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas como ressonar intenso, fadiga ou sonolência sem saber que existe uma causa médica tratável.
No Dia Mundial do Sono, os especialistas alertam para a importância de estar atento aos sinais: dormir bem não é um luxo, é essencial para a saúde física e mental. Por outras palavras, dormir bem é viver melhor.