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Dormir bem para viver melhor

Neste 13 de Março falamos sobre apneia do sono, uma doença que afecta entre 2 e 4% dos adultos de meia-idade

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Sono

Dormir bem é essencial para a saúde. Afinal, passamos cerca de um terço das nossas vidas a dormir, um tempo fundamental para a recuperação física e mental do organismo.

Ainda assim, o descanso continua longe de ser suficiente para muitos portugueses. Mais de metade da população dorme menos de sete horas por noite, o mínimo recomendado para um adulto, segundo especialistas da Associação Portuguesa do Sono. Este défice de sono é considerado um problema de saúde pública, associado ao aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.

Entre as perturbações do sono mais comuns está a apneia obstrutiva do sono, uma perturbação respiratória que afecta milhões de pessoas em todo o mundo e que, muitas vezes, passa despercebida.

Este distúrbio surge com maior frequência entre os 40 e os 60 anos. Estimativas indicam que pode afectar entre 4% e 6% dos homens e 2% a 3% das mulheres, sendo a obesidade um dos principais factores de risco.

Mas afinal, como se manifesta esta doença?

O que é a apneia do sono?

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas na respiração durante o sono. Estas interrupções ocorrem porque os músculos da garganta relaxam excessivamente e provocam o bloqueio parcial ou total das vias respiratórias, impedindo a passagem normal do ar.

Cada pausa respiratória pode durar mais de 10 segundos e repetir-se várias vezes por hora. Quando isso acontece, o cérebro detecta a falta de oxigénio e envia um sinal para que a pessoa acorde brevemente, reabrindo as vias respiratórias. Muitas vezes estes despertares são tão curtos que passam despercebidos, mas interrompem o ciclo normal do sono, impedindo um descanso profundo e reparador.

Estima-se que milhões de pessoas em todo o mundo sofram desta síndrome, sendo uma das doenças do sono mais frequentes.

Principais sintomas

Os sinais da apneia do sono podem surgir durante a noite ou manifestar-se durante o dia. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Ressonar alto e persistente
  • Pausas na respiração durante o sono, muitas vezes observadas por quem dorme ao lado
  • Despertares com sensação de sufoco ou engasgamento
  • Sono agitado ou não reparador
  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Cansaço constante
  • Dores de cabeça ao acordar
  • Irritabilidade ou alterações de humor
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Boca seca ao acordar

Em muitos casos, o primeiro sinal é simplesmente o ressonar intenso, que pode evoluir para uma forma mais grave de perturbação respiratória.

Quem está em maior risco?

A apneia do sono pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em alguns grupos. Entre os principais fatores de risco estão:

  • Excesso de peso ou obesidade
  • Idade avançada
  • Sexo masculino
  • Pescoço largo ou alterações anatómicas das vias respiratórias
  • Amígdalas ou adenoides aumentadas (especialmente em crianças)
  • Consumo de álcool
  • Tabagismo
  • Uso de medicamentos com efeito relaxante muscular
  • Predisposição genética

Possíveis complicações

Quando não tratada, a apneia do sono pode ter consequências graves para a saúde. A interrupção repetida da respiração provoca uma oxigenação insuficiente do organismo, aumentando o risco de várias doenças.

Entre as principais complicações estão:

  • Hipertensão arterial
  • Arritmias cardíacas
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Diabetes
  • Insuficiência cardíaca
  • Maior risco de enfarte
  • Alterações de memória e concentração

Outro risco importante está relacionado com a sonolência diurna, que pode aumentar significativamente a probabilidade de acidentes de viação e acidentes de trabalho.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da apneia do sono deve ser realizado por um médico, normalmente um pneumologista ou otorrinolaringologista.

O diagnóstico da apneia do sono deve ser realizado por um médico, normalmente um pneumologista ou otorrinolaringologista.

A avaliação inclui o historial clínico e a avaliação dos sintomas, seguida de exame físico.

São realizados estudos do sono, como:

  • Polissonografia, exame que analisa a atividade cerebral, respiração, batimentos cardíacos e oxigenação durante o sono
  • Poligrafia respiratória domiciliária

Estes exames permitem confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da doença.

Tratamento da apneia do sono

O tratamento depende da gravidade da síndrome e das características de cada pessoa.

O tratamento mais frequente é a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).

Este método utiliza um aparelho ligado a uma máscara colocada no nariz ou na face, que envia ar com pressão suficiente para manter as vias respiratórias abertas durante o sono, evitando as pausas respiratórias.

Embora a adaptação possa exigir algum tempo, este tratamento é muito eficaz e pode melhorar significativamente a qualidade de vida.

Outras opções de tratamento

Dependendo do caso, podem ser recomendadas outras soluções, como:

  • Dispositivos de avanço mandibular, que ajudam a manter a via aérea aberta
  • Cirurgia, em situações específicas
  • Remoção das amígdalas ou adenoides em crianças

Mudanças no estilo de vida

Além do tratamento médico, algumas alterações no estilo de vida podem ajudar a melhorar os sintomas:

  • Perder peso, quando existe excesso de peso
  • Evitar álcool, especialmente antes de dormir
  • Não fumar
  • Evitar medicamentos sedativos
  • Dormir preferencialmente de lado
  • Manter horários regulares de sono
  • Praticar exercício físico regular

Criar bons hábitos de sono – conhecidos como higiene do sono – pode também contribuir para melhorar a qualidade do descanso.

Neste contexto, a Associação Portuguesa de Sono lembra que pequenas mudanças na rotina podem fazer a diferença:

Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas como ressonar intenso, fadiga ou sonolência sem saber que existe uma causa médica tratável.

No Dia Mundial do Sono, os especialistas alertam para a importância de estar atento aos sinais: dormir bem não é um luxo, é essencial para a saúde física e mental. Por outras palavras, dormir bem é viver melhor.