Netanyahu alega que Israel "está a esmagar" Teerão e Hezbollah
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou hoje que Israel "está a esmagar" o Irão e o seu aliado libanês Hezbollah e referiu-se ao novo líder supremo iraniano como um "fantoche da Guarda Revolucionária" que não pode aparecer publicamente.
"Estamos a viver dias históricos para o Estado de Israel", afirmou Netanyahu na sua primeira conferência de imprensa desde o início da ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro, e das operações militares no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah.
O líder israelita destacou que a operação contra o regime de Teerão conduziu à eliminação do "antigo tirano do Irão", Ali Khamenei, e que o seu filho, Mojtaba Khamenei, "não pode mostrar a cara em público", em alusão ao seu primeiro discurso como líder supremo, lido hoje na televisão iraniana por uma apresentadora.
"Alcançámos os nossos objetivos, mais do que o esperado, e continuaremos a fazê-lo", proclamou Netanyahu, acrescentando que a guerra em curso visa dar aos iranianos "os meios para derrubar o regime", mas terá de ser por sua iniciativa.
"Pode-se levar alguém à fonte, mas não se pode obrigá-la a beber", comentou.
Além disso, o chefe do Governo observou que os objetivos de Israel são impedir os iranianos de produzirem armas nucleares, apontando a propósito a eliminação de cientistas de topo, e destruir as suas capacidades de mísseis balísticos.
Mesmo que o regime não caia, diz Netanyahu, "ficará muito mais fraco" e surgirá "um Irão diferente", que já não representará a mesma ameaça "contra a qual nada podia ser feito e contra o qual ninguém se conseguia unir".
Nesse sentido, sustentou que Israel está a receber apoios, tanto de forma explícita como outras que disse que ficarão claras mais tarde.
"Graças a uma união de forças sem precedentes entre Israel e os Estados Unidos, demos grandes passos, passos que estão a mudar o equilíbrio de poder no Médio Oriente e até mesmo mais além", considerou.
Na sua conferência de imprensa, Benjamin Netanyahu indicou ter transmitido ao Governo libanês que será melhor para ele confrontar o Hezbollah em vez de Israel.
"Eu disse-lhes: 'Estão a brincar com o fogo se deixarem o Hezbollah atuar' (...). Mas se eles não fizerem nada, nós faremos. Como? No terreno ou de outra forma, não vou entrar em detalhes, mas o Hezbollah pagará um preço elevado e seria melhor se o Governo libanês tratasse disso", recomendou.
As forças israelitas realizaram hoje bombardeamentos em grande escala no Líbano, que atingiram inclusive o centro da capital do país, Beirute, em resposta à maior vaga de ataques aéreos lançada na véspera pelo Hezbollah no norte de Israel.
Também hoje, o ministro da Defesa israelita e o comandante das forças armadas ameaçaram tomar o Líbano se o Hezbollah prosseguir os seus ataques contra Israel, lançados no começo do mês, logo após o início da ofensiva na República Islâmica e da morte de Ali Khamenei no primeiro dia dos bombardeamentos em Teerão.
Benjamin Netanyahu referiu-se ainda às atuais capacidades militares do Hezbollah, depois da forte ofensiva israelita em 2024 no Líbano, ao indicar que nessa altura o grupo libanês possuía 150 mil 'rockets' e mísseis, com potencial para atingir torres em Telavive e provocar entre 15 mil e 20 mil mortes.
"Isto não aconteceu porque os atingimos com um golpe massivo", defendeu, na conferência de imprensa, citado neste tema pela imprensa israelita.
O primeiro-ministro reconheceu que os combatentes do Hezbollah "ainda conservam certas capacidades", mas advertiu que, tal como no Irão, "estão muito enfraquecidos" e Israel vai continuar a lidar com eles.