Guerra vai prosseguir "sem limite de tempo"
O ministro da Defesa israelita declarou hoje que a guerra contra o Irão vai prosseguir "sem limite de tempo", depois de o Presidente norte-americano ter afirmado há dois dias que estava praticamente terminada.
"Esta operação continuará sem qualquer limite de tempo, o tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e decidirmos o desfecho da campanha", afirmou Israel Katz, citado pelo ministério, durante uma reunião com responsáveis militares israelitas.
Katz disse ainda que a ofensiva israelo-americana permitiu infligir pesadas perdas às forças iranianas.
O ex-guia supremo iraniano Ali Khamenei foi morto por um ataque israelita em Teerão no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
"A liderança iraniana que sobreviveu foge como ratos em túneis, exatamente como a liderança do [movimento islamita palestiniano] Hamas em Gaza", disse Katz, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou na segunda-feira, quando os preços do petróleo dispararam, que a guerra estava quase terminada, embora depois tenha condicionado o fim do conflito a uma rendição incondicional do Irão.
Trump descreveu ainda a guerra como uma "excursão de pequena duração", apesar de ter mobilizado a maior força militar dos Estados Unidos no Médio Oriente desde a invasão do Iraque, em 2003.
Nas declarações divulgadas pelo Ministério da Defesa de Israel, Katz assegurou que os ataques israelo-americanos vão continuar a visar alvos estratégicos do regime iraniano "em Teerão e em todo o Irão, dia após dia, alvo após alvo".
"As morgues dos hospitais estão cheias, e estamos a falar aqui de forças terroristas --- não de civis --- e isto deve certamente continuar", disse o ministro.
"Continuaremos também a fazê-lo para permitir ao povo iraniano sublevar-se, agir e derrubar este regime. Em última análise, isso depende deles", acrescentou.
As declarações de Katz foram divulgadas no dia em que o chefe das forças de segurança iranianas, Ahmad Reza Radan, anunciou que qualquer protesto no Irão será tratado como "um ato hostil do inimigo".
"A partir de agora, quem agir ao serviço do inimigo, não vamos considerar como um protesto ou algo do género", afirmou Radan, segundo um vídeo divulgado pela TV do Qatar Al-Jazeera.
Os que participem em protestos "serão considerados inimigos e serão tratados como tratamos os inimigos", acrescentou.
O Irão reprimiu com violência raros protestos contra o regime que ocorreram no país em janeiro, os maiores dos últimos anos, com um saldo de milhares de mortos e detidos.
Os protestos foram encorajados por países como os Estados Unidos e Trump chegou a prometer que as forças que enviou para o Golfo Pérsico iam ajudar os manifestantes a derrubar o regime fundamentalista.
Quando lançou a ofensiva conjunta com Israel, Trump pediu aos iranianos que aproveitassem a ocasião e assumissem o poder no país asiático.
O Irão respondeu à ofensiva militar de grande escala dos Estados Unidos e de Israel com ataques contra bases norte-americanas e alvos israelitas.
A retaliação iraniana alargou a guerra a vários países, com um saldo de 1.878 mortos desde 28 de fevereiro até esta manhã, dos quais 1.255 no Irão.
A guerra causou o receio de uma crise económica global devido às perturbações nos mercados de energia e de transportes de mercadorias e passageiros, tanto marítimos como aéreos.