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Guerra no Irão Mundo

Hamas felicita novo líder supremo e deseja-lhe êxito contra Israel e EUA

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O porta-voz do grupo islamista palestiniano Hamas, Hazem Qasem, felicitou hoje a eleição de Mojtaba Khamenei para suceder ao pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irão, desejando-lhe êxito contra Israel e Estados Unidos.

"Expressamos as nossas sinceras felicitações aos nossos irmãos na República Islâmica do Irão pela eleição de Sua Eminência, o 'ayatollah' Mukhtaba Khamenei, como líder da Revolução Islâmica", disse o responsável do grupo que controlava a Faixa de Gaza.

O Hamas, movimento de resistência islâmica na Palestina, foi o autor do ataque de 07 de outubro de 2023 contra Israel, que desencadeou uma ofensiva israelita na Faixa de Gaza que se prolongou por dois anos até ter sido decretado um cessar-fogo em outubro passado.

Qasem afirmou que o Hamas deseja a Khamenei "êxito na hora de concretizar a esperança do povo iraniano contra a agressão israelo-americana e evitar que as forças da arrogância mundial imponham a sua vontade ao Irão", lê-se no jornal diário palestiniano Filastin.

Mojtaba foi nomeado domingo, após a morte do pai, em 28 de fevereiro, quando começou a nova ofensiva militar conjunta de EUA e Israel contra o Irão, já depois da guerra de 12 dias de junho.

Nos ataques morreram também a mulher de Ali Khamenei, Mansoureh Khokhasteh Bagherzadeh, e vários outros familiares, incluindo a mãe e descendentes.

O grupo extremista pró-iraniano Hezbollah, no Líbano, e os rebeldes xiitas Huthis, no Iémen, já se tinham congratulado pela escolha de Mojtaba Khamenei para o topo da hierarquia do regime xiita conservador dos 'ayatollah', no Irão.

O Hezbollah renovou o seu "compromisso com os princípios dos líderes da Revolução Islâmica" e jurou lealdade ao novo 'líder supremo', antes de salientar que "dedicará todos os seus esforços à realização dos princípios da Revolução Islâmica" estabelecidos em 1979, data do golpe que depôs o reinante xá Mohammad Reza Pahlavi, e colocou o 'ayatollah' Khomeini no poder.

O presidente do Conselho Político Supremo dos Huthis, Mahdi al-Mashat, felicitou Mojtaba pela "confiança obtida num voto unânime da Assembleia de Peritos", ao mesmo tempo que elogiou o trabalho do seu pai, "um líder mártir", especialmente durante esta "etapa crítica na história da República Islâmica do Irão, diante da brutal agressão dos Estados Unidos e de Israel".

A milícia pró-iraniana do Iraque Kataib Hezbollah também aplaudiu a nomeação do novo líder supremo, argumentando que "possui as qualidades de liderança e a competência necessárias para assumir o peso desta grande responsabilidade nestas circunstâncias difíceis".

Também o ex-presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad felicitou Mojtaba Khamenei pela sua nomeação numa mensagem divulgada na imprensa iraniana.

Mojtaba Khamenei, 56 anos, não será apenas o líder político, mas também o responsável máximo do xiismo, uma corrente minoritária no islamismo, mas maioritária no Irão e com grande presença em países como o Iraque, Síria ou Líbano. 

O presidente norte-americano, Donald Trump, já disse que o sucessor de Ali Khamenei será um alvo dos ataques ao país, tal como vários elementos da hierarquia iraniana que foram mortos.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.