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Guerra no Irão Mundo

Países Baixos colocam fragata no Mediterrâneo para defesa de potenciais ataques a aliados

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Foto Shutterstock

O governo dos Países Baixos anunciou, esta segunda-feira, o envio para o Mediterrâneo Oriental de uma fragata numa missão conjunta com países como França e Espanha, para reforçar a proteção de aliados contra potenciais ataques do Irão. 

De acordo com uma carta do governo ao Parlamento, o navio holandês Zr. Ms. Evertsen contribuirá para a defesa dos países da região, incluindo Chipre, membro da União Europeia, e a Turquia, aliado da NATO, ambos ao alcance do Irão e dos seus grupos armados afiliados. 

"Participando na missão, os Países Baixos demonstram solidariedade para com os seus aliados e contribuem para a cooperação europeia no âmbito da proteção da ordem jurídica internacional", refere a carta. 

Espera-se que o Parlamento holandês debata a decisão do governo esta semana.  

Embora a aprovação parlamentar formal à missão não seja obrigatória, na prática os militares holandeses só são enviados para o estrangeiro se houver uma maioria parlamentar favorável. 

A missão, que inclui também a fragata espanhola Cristóbal Colón, abrangerá ainda a proteção de outros navios militares na zona, incluindo o porta-aviões francês Charles de Gaulle e os seus navios de escolta. 

A fragata neerlandesa Evertsen, com uma tripulação de aproximadamente 170 pessoas, pertence à classe de navios de comando e defesa aérea da Marinha Real Holandesa, concebida para proteger frotas inteiras contra ameaças aéreas e marítimas, como aeronaves e mísseis, e para coordenar as operações navais 

Na semana passada, a França solicitou o apoio dos Países Baixos para reforçar a segurança na região, após o conflito desencadeado pelos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, que levaram a um aumento acentuado das tensões no Médio Oriente. 

Desde então, vários países da região têm sido alvo de ataques de retaliação com 'drones' iranianos.  

O governo neerlandês descreveu a operação como uma contribuição "limitada e defensiva" que, em princípio, durará várias semanas, até ao início de abril. 

Incidentes recentes em países de toda a região incluem um ataque com um 'drone' a uma base militar britânica em Chipre, que, segundo informações preliminares, foi lançado a partir do Líbano. 

Além disso, a Turquia intercetou mísseis iranianos em diversas ocasiões enquanto atravessavam o seu espaço aéreo. 

O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou hoje que quando se ataca Chipre "ataca-se a Europa", tendo anunciado o envio de "oito fragatas" adicionais para a região.

Num discurso em Chipre, que neste semestre exerce a presidência do Conselho da União Europeia (UE), ao lado do Presidente cipriota e do primeiro-ministro grego, Nikos Christodoulides e Kyriakos Mitsotakis, respetivamente, Macron frisou que a defesa da ilha mediterrânica é "uma questão essencial para o seu vizinho, parceiro e amigo, a Grécia, mas também para a França e, com ela, para a União Europeia".  

Outro objetivo do destacamento militar francês, sublinhou Macron, é "tranquilizar todos os nossos parceiros".

Por isso, reiterou também o apoio da França aos Emirados Árabes Unidos, ao Qatar e ao Kuwait, com os quais mantém acordos de defesa, mas também à Jordânia, à Arábia Saudita e ao Iraque, que foram atacados no âmbito do conflito em curso e aos quais Paris tem prestado apoio. 

"A presença francesa, que será destacada do Mediterrâneo Oriental até ao Mar Vermelho e (...) ao largo das costas do [estreito de] Ormuz, mobilizará oito fragatas, dois porta-helicópteros anfíbios e o nosso porta-aviões 'Charles de Gaulle'", afirmou Macron a partir da cidade cipriota de Pafos.

Para Macron, o objetivo da França "é contribuir para a distensão, para a segurança dos cidadãos, para a segurança dos parceiros e para a liberdade de navegação e a segurança marítima".

Neste sentido, o chefe de Estado francês indicou que está "em curso" uma missão internacional de caráter "defensivo" para "abrir progressivamente" o estreito de Ormuz, por onde passa uma percentagem significativa do petróleo e do gás mundiais, bem como de outros produtos essenciais.   

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.