DNOTICIAS.PT
Mundo

Líder da oposição quer voltar ao país apesar da detenção de opositor aliado

None

A líder da oposição venezuelana María Corina Machado disse hoje em Washington que mantém a intenção de regressar à Venezuela após a detenção de um opositor aliado.

"Não afeta o meu regresso de forma alguma. Muito pelo contrário", disse a líder opositora, que recebeu o Prémio Nobel da Paz 2025, referindo-se à prisão do dissidente Juan Pablo Guanipa na noite passada, após menos de 12 horas de liberdade.

"Deixei claro que tinha certas tarefas para cumprir antes de voltar. Assim que estes objetivos forem alcançados, regressarei à Venezuela", acrescentou, em declarações à agência France-Presse (AFP).

Sobre a nova detenção do ex-deputado anti-chavista Juan Pablo Guanipa, Corina Machado condenou o que disse ser "um rapto", enquanto acusou o Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, de "tirania".

"Vemos esta reação da tirania, onde, por um lado, prendem imediatamente, novamente, raptam o meu amigo, o meu parceiro, Juan Pablo Guanipa", disse Machado, após comparecer hoje perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em Washington.

Também Edmundo González Urrutia, candidato da oposição que reclama vitória nas eleições presidenciais de julho de 2024, denunciou hoje que "o regime (venezuelano) liberta e rapta novamente" e exigiu "prova imediata de vida" de Juan Pablo Guanipa, na ausência de informações sobre o paradeiro do opositor.

Guanipa foi libertado no domingo à tarde juntamente com outro grupo de opositores próximos da líder da oposição María Corina Machado.

Depois disso, liderou, juntamente com outros ativistas políticos, uma caravana de motas e carros que foi para várias prisões apoiar familiares de presos políticos e, horas mais tarde, foi novamente preso.

Ramón Guanipa, filho do opositor, indicou que por volta das 23:45 locais (03:45 em Lisboa) homens não identificados, sem uniforme e armados, levaram o pai depois de intercetar e atingir o veículo em que este viajava com outro grupo de pessoas.

"Perante a agressividade destas pessoas, o meu pai decidiu sair e levaram-no", relatou.

O Ministério Público da Venezuela indicou hoje, através de um comunicado, que solicitou a um tribunal a revogação da libertação concedida ao cidadão Juan Pablo Guanipa por, supostamente, "ter verificado o incumprimento das condições" impostas pelas autoridades judiciais.

A maioria da oposição venezuelana, agrupada na Plataforma Democrática Unitária (PUD), respondeu que o ex-deputado não violou nenhuma das medidas impostas pelo tribunal.