Jogar em casa tem sido um problema para o Marítimo?
Verde-rubros perderam com o Farense e os adeptos falam de uma espécie de ‘maldição’ dos Barreiros. Será mesmo assim? Aconteceu o mesmo nas épocas mais recentes?
A derrota (0-1) caseira frente ao Farense arrefeceu o entusiasmo dos adeptos do Marítimo. A equipa continua bem posicionada na luta pela subida, mas o desaire nos Barreiros voltou a alimentar a sensação de que algo não está a funcionar quando o Marítimo joga perante o seu público. Há mesmo quem fale numa espécie de “maldição” no Caldeirão, naturalmente em sentido figurado. Mas será que essa ideia tem fundamento?
O Marítimo lidera a II Liga com 41 pontos, mais seis do que o segundo classificado, Académico de Viseu, e nove de vantagem sobre o Torreense, que ocupa o terceiro lugar. Independentemente da derrota mais recente, são números animadores e que mantêm os verde-rubros numa boa posição na corrida pelo regresso à I Liga. Os dois primeiros garantem a subida e o terceiro vai ao ‘play-off’ com o 16.º da liga principal.
No entanto, para este fact-check, importa comparar o desempenho da equipa nos jogos realizados fora e em casa. E é aqui que surge um dado relevante. A equipa agora comandada por Miguel Moita (e anteriormente por Vítor Matos) soma mais pontos como visitante do que nos Barreiros. Fora de portas, o Marítimo conquistou 25 pontos em 10 jogos. Em casa, não foi além dos 16 pontos em 11 jornadas. A diferença é significativa e permite afirmar, de forma factual, que a equipa tem sido mais eficaz longe do seu estádio.
Mas nas palavras e comentários dos adeptos e leitores, essa percepção de ‘maldição’ não se resume apenas ao que está a acontecer esta época, mas também nos tempos mais recentes. Com efeito, estendemos esta análise às duas últimas épocas, ambas na II Liga. O cenário repete-se. Em 2023/2024, época que marcou o regresso do Marítimo ao segundo escalão após quatro décadas, os verde-rubros somaram 30 pontos em 17 jogos em casa, enquanto fora alcançaram 34. Embora a diferença não tenha sido muito expressiva, o rendimento como visitante foi melhor.
Já em 2024/2025, temporada em que o clube ficou longe da luta pela subida, a diferença foi ainda mais evidente: 17 pontos nos jogos caseiros contra 26 fora de portas. De forma objectiva, os dados das últimas épocas e da temporada actual confirmam que o Marítimo tem apresentado maiores dificuldades em casa do que fora.
Falar de "maldição" é apenas no sentido figurado, mas os números mostram que a equipa verde-rubra tem sido mais consistente e eficaz como visitante. Aliás, se nesta época o Marítimo tivesse uma campanha fora idêntica à que apresenta nos Barreiros, não ia, nesta fase, além do terceiro lugar. Assim, é factual afirmar que jogar em casa, em termos de resultados, tem sido realmente um problema para o Marítimo.