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Montenegro diz que ainda "não é momento" de fazer avaliação da actuação do Governo

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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu hoje que ainda "não é o momento" de fazer a avaliação da atuação do Governo na resposta ao mau tempo que causou mais de uma dezena de mortes em Portugal.

Luís Montenegro foi questionado, na conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros, residência oficial, em São Bento, sobre se admite que o executivo teve falhas de comunicação como sugeriu o Presidente da República.

"Já tive a ocasião de dizer, e vou aqui reiterar, este é um tempo onde o Governo e todos os seus membros estão concentrados em resolver problemas, não estão concentrados nem desfocados em fazer uma avaliação sobre tudo aquilo que aconteceu", respondeu.

Na terça-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que a explicação, por parte do Governo, sobre o impacto da depressão Kristin "não correu bem", repetindo a expressão três vezes.

Hoje, questionado sobre essas palavras, o chefe do Governo disse que o executivo terá tempo para fazer essa avaliação, depois de passar o momento de resposta à emergência no terreno.

"Mas não é neste dia, nesta ocasião, neste momento, em que ainda estão tantos portugueses a precisar da nossa ajuda imediata, que nós vamos desviar a nossa força e o nosso foco para essa avaliação", disse.

Montenegro afirmou que o Governo será "sujeito ao escrutínio democrático" e exigente com o que depender da sua responsabilidade, avisando que será também "observador atento" do que possa ter funcionado menos bem fora do perímetro de ação do executivo

"O país tem de saber conviver com esse exercício de forma madura e é isso que nós nos propomos fazer", disse.

Questionado sobre outra mensagem do Presidente da República, que defendeu a abertura de "um canal de entrada" de imigrantes para dar resposta à falta de mão-de-obra para reconstruir as zonas afetadas pela tempestade Kristin, o primeiro-ministro não manifestou intenção de criar canais adicionais.

Montenegro defendeu que a informação que lhe chega do terreno é de que a maioria das empresas "não tem nenhum problema de mão de obra, mas precisa de maior agilidade de procedimentos".

"Sobre isso, a orientação que demos ao Instituto de Emprego e Formação Profissional é para que, conjuntamente com a estrutura de missão, possa trazer para esta missão todos aqueles que estão ainda disponíveis no nosso país", afirmou.

Caso haja necessidade de mais mão-de-obra, Montenegro instou as empresas a usarem o mecanismo criado no ano passado "para poder agilizar a vinda de trabalhadores estrangeiros", o chamado Protocolo de Migração Laboral Regulada.

"É, pois, à altura de podermos aproveitar, precisamente, esses instrumentos de uma forma ainda mais intensa e é o princípio que está subjacente à instrução que demos ao Instituto de Emprego e Formação Profissional", defendeu.