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Guerra no Irão Mundo

EUA acusam Teerão de "falta de vontade" em negociações sobre nuclear

FOTO OLGA FEDOROVA/EPA
FOTO OLGA FEDOROVA/EPA

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, culpou hoje a "falta de vontade" do Irão pelo fracasso das negociações sobre o seu programa nuclear, que levou ao ataque conjunto israelo-norte-americano hoje lançado no país.

"A diplomacia norte-americana tentou repetidamente e de boa-fé. O Presidente [Donald] Trump, os nossos enviados especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, dedicaram-se à diplomacia, mas a diplomacia não pode ter êxito se não houver uma vontade genuína de cessar a agressão", declarou Waltz na sua intervenção no Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu hoje à noite numa sessão de emergência, após os bombardeamentos ao Irão.

Waltz argumentou que "o dever fundamental de um Governo soberano é proteger o seu povo", razão pela qual Trump tem defendido que o Irão não pode possuir armas nucleares.

O diplomata norte-americano acusou também o Irão de "há décadas" desestabilizar o Médio Oriente.

"O Irão matou militares e civis norte-americanos, ameaçou aliados regionais e pôs em risco a segurança do tráfego marítimo do qual o mundo depende", sustentou.

Recordou igualmente o programa de mísseis avançados do Irão e a recusa deste em "abandonar as suas ambições nucleares", apesar das "oportunidades diplomáticas".

"O Irão não pode ter uma arma nuclear. Isto não é uma questão política, mas de segurança global. E, nesse sentido, os Estados Unidos estão a tomar medidas legais", defendeu.

Na reunião interveio também o embaixador do Paquistão junto da ONU, Assim Iftikhar Ahmad, que aproveitou para condenar a morte de um cidadão paquistanês nos Emirados Árabes Unidos em resultado dos ataques de retaliação iranianos.

"Estes ataques são uma flagrante violação da soberania dos Estados nossos irmãos do Golfo" Pérsico, observou.

As autoridades confirmaram a morte de uma pessoa devido à queda de escombros relacionada com um ataque de um projétil.

"Instamos todas as partes a absterem-se de novas ações que possam prejudicar a segurança e a integridade territorial de outros países da região" do Médio Oriente, declarou Ahmad.

Na sessão, participou também o secretário-geral da ONU, António Guterres, que condenou os Estados Unidos e Israel pelo uso da força contra outro Estado, o que é expressamente proibido pela Carta da ONU e "representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais".

"Não existe qualquer alternativa viável à resolução pacífica de litígios internacionais", sublinhou Guterres, alertando para uma situação "cada vez mais volátil e imprevisível" na região, motivo pelo qual reiterou o seu apelo para o fim das hostilidades.

Israel e Estados Unidos lançaram hoje um ataque ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visou "eliminar ameaças iminentes" do Irão, ao passo que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, os bombardeamentos fizeram até agora pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.

Portugal, França, Alemanha e Reino Unido já condenaram os ataques iranianos.