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Camboja favorável a fim do conflito com a Tailândia

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Foto Shutterstock

O Camboja deseja acabar com a violência e uma resolução pacífica do conflito fronteiriço com a Tailândia, após Bangkok ter acusado esta semana os seu vizinho de violar uma trégua acordada em dezembro, declarou ontem o seu Primeiro-Ministro.

"Não estamos numa escalada. Queremos a redução da escalada. Queremos a coexistência pacífica", afirmou Hun Manet numa entrevista em Bruxelas, mostrando-se preocupado com a situação na fronteira, que descreveu como "instável" e "frágil".

O líder do executivo do Cambodja também disse estar preocupado com a situação na fronteira, qualificada de "instável" e "frágil".

O litígio fronteiriço que opõe desde há décadas as duas nações do Sudeste Asiático transformou-se no ano passado num conflito aberto, com várias séries de confrontos que causaram dezenas de mortos e deslocaram mais de um milhão de pessoas em julho e dezembro.

O exército tailandês acusou as forças cambojanas de terem disparado uma granada perto de uma das suas patrulhas na terça-feira, o que provocou tiros de resposta, mas Phnom Penh desmentiu.

O Camboja afirma que as forças tailandesas apoderaram-se de várias áreas em províncias fronteiriças, exigindo a retirada, enquanto Bangkok insiste que apenas retomou terras ocupadas pelos cambojanos há anos, mas pertencentes à Tailândia.

O Primeiro-Ministro cambojano recusou-se a dizer que área de território as forças tailandesas tinham ocupado, mas assegurou que se tinham aventurado "muito além" do que até mesmo Banguecoque considera como a linha de fronteira entre os dois países.  

Questionado sobre se as forças cambojanas iriam lutar para recuperar os territórios perdidos, respondeu: "Continuamos sempre comprometidos com o fim da escalada, com soluções pacíficas."  

O conflito fronteiriço centenário entre os dois países tem a sua origem numa disputa sobre a delimitação dos seus 800 quilómetros de fronteira na época colonial francesa.

Phnom Penh solicitou a ajuda de França e o acesso a documentos históricos e mapas com o objetivo de resolver a questão, e pediu a retoma dos trabalhos de uma comissão fronteiriça conjunta.  

"Qualquer que seja o resultado" deste processo, o Camboja está pronto para "aceitar", declarou Hun Manet, acrescentando que esperava "que a Tailândia aceitasse a mesma coisa.

 Tendo sucedido ao seu pai, Hun Sem, como Primeiro-Ministro, em 2023, está de passagem por Bruxelas, sede das grandes instituições da UE, no âmbito de uma tournée destinada a reforçar o apoio ao seu país.

O líder do executivo do Camboja deslocou-se a Washington e a Genebra. Ali, encontrou-se com o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, e com a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

Hun Manet comentou também os esforços de Donald Trump para um cessar-fogo com a Tailândia, considerando que estes terão influenciado a decisão de Phnom Penh de se juntar ao Conselho da Paz, iniciado pelo presidente americano.

O Camboja acredita no objetivo deste novo órgão de promover a paz e não procura, ao juntar-se, "agradar ao presidente Trump", afirmou.