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Marítimo só precisa de mais 12 pontos para garantir subida à I Liga?

Verde-rubros venceram (1-0) o Sporting B e estão mais perto do tão ambicionado regresso ao escalão principal. Já há quem olhe para a classificação e considere que mais quatro vitórias são suficientes para fazer a festa verde-rubra. Será assim?

Fotos Rui Silva/ASPRESS
Fotos Rui Silva/ASPRESS

“Está praticamente garantida. Mais 12 pontos e festejamos a subida”. A frase de um leitor do DIÁRIO surge num contexto de entusiasmo compreensível. O Marítimo venceu o Sporting B por 1-0, nos Barreiros, reforçando a liderança da II Liga. A equipa madeirense soma 47 pontos, tem seis de vantagem sobre o Académico de Viseu e nove sobre o Sporting B, que não pode subir. Em relação ao Torreense, quarto classificado, a vantagem é de 11 pontos. O cenário é claramente favorável aos verde-rubros e a regularidade demonstrada ao longo da época explica o clima de confiança em torno da possibilidade de regresso ao principal escalão do futebol português. Mas 12 pontos são suficientes para garantir a subida?

Feitas as contas, se o Marítimo somar mais 12 pontos - o equivalente a quatro vitórias - passará a totalizar 59. É uma pontuação significativa e que, em termos práticos, colocará a equipa ainda mais próxima do objectivo. No entanto, faltam 11 jornadas até ao final do campeonato, o que significa que estão ainda em jogo 33 pontos. Esse dado é determinante para enquadrar qualquer projecção. Há margem temporal e pontual suficiente para alterações na classificação, sobretudo entre as equipas que seguem nos lugares imediatos.

O histórico recente da II Liga ajuda a contextualizar, olhando para a pontuação dos dois primeiros classificados, que garantem a subida directa. Na época passada, o Tondela foi campeão com 64 pontos e o Alverca subiu com 63. Em 2023/2024, o Santa Clara terminou com 73 e o Nacional com 71.

Em 2022/2023, o Moreirense alcançou 79 e o Farense 69. Em 2021/2022, o Rio Ave somou 70 e o Casa Pia 68. Já em 2020/2021, o Estoril Praia fechou o campeonato com 70 e o Vizela com 66.

Em todas estas temporadas, os dois primeiros classificados ultrapassaram a barreira dos 60 pontos, o que mostra que 59, embora relevantes, tendem a ser uma marca intermédia e não necessariamente suficiente para garantir pelo menos o segundo lugar.

A próxima jornada reserva um duelo particularmente relevante, o Académico de Viseu-Marítimo. Trata-se de um confronto entre primeiro e segundo classificados. Um triunfo verde-rubro vai ampliar a vantagem e reforçar a liderança, dando mais um passo significativo rumo ao objectivo. Uma derrota, por outro lado, encurta distâncias e relança contas, pelo menos entre os dois primeiros. Em todo o caso, a distância em relação aos restantes concorrentes é considerável. E a continuar assim, no caminho da regularidade, o Marítimo até poderá arrumar a questão ainda antes das três últimas jornadas.

Neste enquadramento, a ideia de que “mais 12 pontos” aproximam muito o Marítimo da subida tem fundamento no actual momento. Contudo, com 33 pontos ainda em jogo e confrontos directos por realizar, o contexto aconselha a leitura prudente de qualquer cenário antecipado. E, na realidade, “mais 12 pontos” - chegando assim aos 59 - não garantem por si só, com os dados disponíveis nesta fase do campeonato, a subida de divisão.

“Está praticamente garantida. Mais 12 pontos e festejamos a subida” - Comentário de leitor no Facebook do DIÁRIO