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Novo ministro da Administração Interna considera inaceitável baixos salários na PSP

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Luís Neves, nomeado hoje ministro da Administração Interna, alertou para a falta de atratividade da carreira policial, num 'podcast' da Renascença gravado enquanto diretor da PJ, e considerou que "não é aceitável" os baixos salários na PSP.

"Não é aceitável que um elemento venha a entrar como agente da PSP, que vem do interior do país, de onde eu sou, também sou beirão, sou da Beira Baixa, que venha, por exemplo, da minha terra, tem que ser colocado em Lisboa, em que metade do seu vencimento é para pagar uma casa. Isso não é possível", afirmou Luís Neves ao 'podcast' "Direito à Justiça", da rádio Renascença com a Ordem dos Advogados, que será emitido em março.

O Presidente da República aceitou a proposta do primeiro-ministro de nomear Luís Neves para as funções de ministro da Administração Interna, em substituição de Maria Lúcia Amaral, que se demitiu depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país no final de janeiro.

O futuro ministro salientou que ser polícia é "uma missão nobre", considerando que "não é possível continuar a ter salários tão baixos porque não é atrativo".

"E isso traz outros problemas até no desempenho da função. Traz outros problemas de moral, de autoestima coletiva, de se poder recrutar gente boa, gente que se fixe na profissão", sublinhou, alertando para o risco de baixos salários afastar bons quadros da força.

Em 2023, Luís Neves conseguiu um aumento de cerca de 600 euros no subsídio de risco dos inspetores da PJ, o que motivou contestação dos polícias da PSP e GNR que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário e que ainda não se concretizou.

No 'podcast', Luís Neves ressalvou que sempre defendeu melhores salários para os polícias, nomeadamente antes e depois da atribuição do suplemento

"A nossa missão muitas das vezes tem por base o trabalho que as outras forças [GNR e PSP] fazem no seu dia-a-dia. É desta mescla que conseguimos muitas vezes responder a determinado tipo de criminalidade. Por isso enquanto cidadão, enquanto dirigente de uma polícia e enquanto a minha essência que é de ser polícia, direi sempre que, na base, as forças têm que ter mais condições", salientou.

Luís Neves, diretor da PJ há oito anos e há cerca de três décadas ao serviço desta polícia de investigação criminal, toma posse como ministro da Administração Interna na próxima segunda-feira às 10:00 no Palácio de Belém, em Lisboa.