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Políticos britânicos pressionam Governo a aprovar lei que afaste ex-príncipe André da linha de sucessão

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Elementos de todo o espetro político britânico instaram hoje o Governo trabalhista a aprovar legislação para afastar da linha de sucessão ao trono o ex-príncipe André, investigado por ligações ao criminoso sexual norte-americano condenado Jeffrey Epstein.

O líder dos democratas-liberais, Ed Davey, afirmou que agora a prioridade é a investigação em curso contra Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do Rei Carlos III, caído em desgraça e destituído de todos os títulos e honras no Reino Unido, devido ao seu envolvimento no escândalo de tráfico e exploração sexual de menores protagonizado pelo consultor financeiro Jeffrey Epstein, que em 2019 se suicidou na prisão, nos Estados Unidos.

No entanto, Davey advertiu também de que o parlamento britânico terá, em algum momento, de debater a questão da retirada do irmão de Carlos III da linha de sucessão ao trono do Reino Unido, havendo "a monarquia de querer assegurar-se de que ele nunca poderá tornar-se rei", noticiou a BBC.

Por seu lado, o ministro-sombra para a Escócia, Andrew Bowie, sustentou que, se André for considerado culpado, o parlamento britânico terá "o direito" de agir em conformidade.

"Devemos deixar a investigação policial seguir o seu curso", declarou, instando à prudência, por enquanto.

No mesmo sentido se pronunciou a deputada trabalhista Rachael Maskell, recordando que André já foi despojado de vários títulos, entre os quais o de Duque de York.

"Estou confiante em que se poderá aprovar legislação para alcançar este objetivo", afirmou.

O líder do Partido Verde, Zack Polanski, disse que "há muitas perguntas" sobre o caso e defendeu que se realize uma investigação completa.

"Creio que problemas como este decerto não ajudam a monarquia", observou.

O afastamento de André --- oitavo na linha de sucessão ao trono, depois do príncipe William e seus três filhos e do príncipe Harry e seus dois filhos --- exigiria não só legislação, mas também consultas e acordos com outros territórios da Commonwealth que respeitam a monarquia britânica.

O ex-príncipe foi detido na quinta-feira e libertado depois de passar mais de 11 horas na esquadra da localidade inglesa de Aylsham.

As forças de segurança realizaram hoje buscas no Royal Lodge, antiga residência do então duque de York, depois de na quinta-feira terem também revistado uma casa de campo em Norfolk -- ambas, propriedades pertencentes à família real britânica.

As investigações giram em torno de uma alegada "conduta indevida no exercício de cargo público" por ter presumivelmente fornecido a Epstein informações confidenciais do Governo, enquanto trabalhava como enviado especial para o Comércio.

O inquérito inclui também o seu alegado envolvimento num caso de tráfico humano.