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Madeira

Empréstimos das empresas na banca caem e nas famílias aumentam

No final de 2025, o saldo dos empréstimos concedidos às sociedades não financeiras baixou para 1.758,6 milhões de euros e aumentou nas famílias para 3.285,9 milhões de euros

O grosso dos empréstimos das famílias vai para a habitação.   Foto Shutterstock
O grosso dos empréstimos das famílias vai para a habitação.   Foto Shutterstock

No final de 2025, "o saldo do volume de empréstimos concedidos a cerca de 5,2 mil sociedades não financeiras (SNF) na Região totalizava 1.758,6 milhões de euros, o que representa uma redução de 11,4 milhões de euros (-0,6%) em relação ao mesmo período de 2024", enquanto "no sector das famílias e das Instituições Sem Fins Lucrativos ao Serviço das Famílias (ISFLSF), o saldo dos empréstimos concedidos ascendia, em dezembro de 2025, a 3 285,9 milhões de euros, valor superior aos 3 031,6 milhões de euros registados no final do ano anterior (+8,4%)", informa hoje a Direção Regional de Estatística da Madeira, segundo os dados do Banco de Portugal.

"Por sua vez, o montante de empréstimos vencidos (crédito malparado) nas SNF fixou-se, em dezembro de 2025, em 18,4 milhões de euros, correspondendo a um aumento de 5,8 milhões de euros (+46,0%) face ao mesmo mês de 2024", acrescenta a DREM que explica que, "assim, o rácio de empréstimos vencidos na Região aumentou entre o final de 2024 e o final de 2025, passando de 0,7% para 1,0% e aproximando-se da média nacional (1,9% e 2,0%, respetivamente). Em consequência, o diferencial entre a RAM e o País reduziu-se de 1,2 p.p., no final de 2024, para 1,0 p.p., no final de 2025", sinaliza.

No caso das empresas, "a percentagem de devedores com empréstimos vencidos era, no final de 2025, de 13,8%, situando-se ligeiramente abaixo da média nacional (14,2%). Esta situação contrasta com a observada no início de 2024, quando a percentagem regional se fixava nos 14,9%, acima da nacional (14,6%)", aponta positivamente.

Já na perspectiva das 'Famílias', do valor dos empréstimos, "73,9% daquele saldo referia-se ao segmento da 'habitação', enquanto os restantes 26,1% eram destinados ao 'consumo e outros fins'. Em comparação com dezembro de 2024, o saldo dos empréstimos concedidos ao primeiro segmento aumentou 8,2%; já no segundo segmento, o crescimento foi ligeiramente superior, de +9,0%", aponta.

Contudo, é de notar que "o rácio de crédito vencido no sector das famílias e ISFLSF era, em dezembro de 2025, de 0,8%, 0,1 p.p. acima do verificado a nível nacional, com o montante de empréstimos vencidos a totalizar 27,5 milhões de euros", mas "face ao mesmo período de 2024, este rácio desceu 0,1 p.p. na Região, enquanto o valor dos empréstimos vencidos cresceu 0,3 milhões de euros (+1,1%)", ainda assim muito próximo do racio de malparado das empresas.

Mas há um diferença, esclarece a DREM: "Relativamente aos empréstimos vencidos no segmento da 'habitação', no final de 2025, os mesmos não ultrapassavam os 3,0 milhões de euros, correspondendo a um rácio de empréstimos vencidos de 0,1%, proporção ligeiramente inferior à média nacional (0,2%). Por sua vez, no segmento do 'consumo e outros fins', o rácio de crédito vencido, era, no mesmo mês de referência, de 2,9%, superior ao nacional (2,4%), com o total de empréstimos vencidos a atingir 24,6 milhões de euros."

Preocupante (ou talvez não) é o facto de haver muito mais gente com crédito ao consumo do que à habitação. "O número de devedores no sector das famílias e das ISFLSF ascendia a 104,4 mil no final de 2025, o que representa um aumento de 1,4% em relação ao mesmo período de 2024. Este crescimento deve-se, sobretudo, ao acréscimo de 1,6% verificado no segmento do 'consumo e outros fins' (89,1 mil), já que o número de devedores no segmento da 'habitação' (42,8 mil) aumentou apenas +0,2%", explica.

Deste modo, "a percentagem de devedores (famílias e ISFLF) com empréstimos vencidos era, no final de 2025, de 6,3% na RAM e de 7,2% em Portugal. Face a 2024, estas percentagens aumentaram na Região (+0,2 p.p.) e no País (+0,1 p.p.)", conclui no que toca ao que se deve aos bancos.

Quanto ao que se 'empresta' aos bancos, ou seja, aos depósitos, estes "cresceram nas Sociedades Não Financeiras e nas Famílias, mas continuam em queda entre os emigrantes", refere. "No final de dezembro de 2025, os depósitos das famílias e ISFLSF atingiram os 4.468,2 milhões de euros, correspondendo a um aumento homólogo de 4,2%", aponta.

No sector das SNF (empresas), "os depósitos ascenderam a 2 096,0 milhões de euros, o que representa uma variação homóloga de +20,8%", variação extraordinária, sobretudo para a liquidez das empresas, que parecem estar a acumular para a próxima crise ou investimentos.

Por sua vez, como referido, "o saldo de depósitos dos emigrantes manteve a tendência decrescente, fixando-se em 125,4 milhões de euros, no final de dezembro de 2025, traduzindo uma redução homóloga de 27,1%", indicador que já esteve no passado em quase 450 milhões de euros em 2018.