Ventura aponta "incompetência" do Governo, Montenegro acusa-o de falta de seriedade
O presidente do Chega acusou hoje o primeiro-ministro de "incompetência" na gestão das consequências provocadas pelas tempestades, enquanto Luís Montenegro considerou que a atitude de André Ventura, com "larachas", revelou falta de seriedade e de responsabilidade.
Este debate, que motivou várias interrupções do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, com apelos à moderação das bancadas, foi travado por André Ventura e Luís Montenegro no início do debate quinzenal no parlamento.
Logo a abrir a discussão, o presidente do Chega acusou o primeiro-ministro de incompetência na resposta à destruição e às mortes provocadas pelas tempestades, dizendo, ainda, que em "duas anteriores catástrofes" que atingiram o país - o apagão e os incêndios do último verão - Luís Montenegro "também falhou".
"Este Governo falhou redondamente na gestão desta crise, em que se esperava que pelo menos fosse capaz de responder àquilo que eram as necessidades mais urgentes das pessoas. Nesses dias seguintes às tempestades, o Governo teve o ministro [Castro Almeida], na televisão, a dizer para as pessoas usarem o salário do mês anterior e assim gerirem os seus problemas", apontou André Ventura.
No mesmo tom, o primeiro-ministro respondeu de forma algo pormenorizada descrevendo as principais iniciativas que tomou após a passagem da depressão Kristin pelo território continental. Depois, desafiou o presidente do Chega a concretizar onde, especificamente, o seu executivo falhou na resposta.
Caso contrário, segundo o líder do executivo, tudo não passaria de "larachas" ou de "fogachos proferidos por André Ventura naquele debate parlamentar.
Neste contexto, o presidente do Chega colocou uma pergunta a Luís Montenegro: "Consegue dizer aqui, perante os portugueses, que teve uma boa gestão da crise, depois de pessoas morrerem a reconstruir telhados? "
"O seu Governo foi de uma incompetência absoluta", rematou, apontando que na gestão da crise das tempestades, pela parte do Governo, falhou a Proteção Civil, o sistema de comunicações SIRESP e as Forças Armadas.
Porém, o primeiro-ministro rejeitou que tivessem falhado tanto o SIRESP, como a Proteção Civil e as Forças Armadas. E acusou-o de "falta de seriedade".
"Acho deplorável que diga que houve pessoas que morreram a consertar os seus telhados por responsabilidade do Estado. Responsabilizar o Estado por essa circunstância, sinceramente, é levar longe demais aquilo que deve ser o escrutínio da responsabilidade que nos cabe a todos", declarou.
A seguir, o primeiro-ministro foi mais longe no grau das críticas que dirigiu ao presidente do Chega.
"Não diga que não fizemos o nosso trabalho na resposta, porque isso é mentira. Se quer um dia ter alguma responsabilidade a gerir o que quer que seja, então pelo menos seja sério consigo próprio e exija aos outros aquilo que é exigido a si", disse.
Numa alusão aos resultados de André Ventura nas últimas eleições presidenciais, em que dois terços dos portugueses não votaram nele, Luís Montenegro atirou: "Se quer ter uma atitude de responsabilidade, se quer aproveitar o apoio que tem hoje e que pode ter amanhã no povo português, então seja sério".
"Seja até credível, porque senão nunca vai ter essa confiança", completou.
Na sua última intervenção, além da crítica à falta de seriedade, o líder do executivo considerou ainda que André Ventura revelou igualmente "falta de preparação", designadamente quando abordou questões como a forma de se acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
Já na parte final do debate, o líder do Chega assinalou que foi o próprio ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que assumiu que o SIRSP tinha falhado nos primeiros dias após a passagem da depressão Kristin.
Lamentou, ainda, que os bombeiros continuem sem autonomia de comando "por responsabilidade do PSD e do PS".
Já no plano estritamente político, André Ventura disse concluir que o primeiro-ministro "continua a procurar fugir às suas responsabilidades". Terminou deixando um conselho a Luís Montenegro: "Menos Sportv e mais ação".