Carta aberta ao Presidente do Governo
Exmo. Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque
Venho, por este meio, expressar a minha profunda preocupação e descontentamento relativamente ao estado atual do Carnaval da Região Autónoma da Madeira, em particular no que diz respeito ao papel e valorização das baterias que participam nos desfiles.
As baterias representam um dos pilares fundamentais da energia, identidade e tradição do nosso Carnaval. Durante meses — entre três a quatro meses de ensaios intensivos — dedicamos tempo, esforço, paixão e recursos pessoais para preparar atuações de qualidade, que dignificam a cultura e o espetáculo que é apresentado ao público e aos visitantes da nossa região.
Contudo, chegado o momento do desfile, sentimos que o nosso trabalho não é devidamente valorizado nem respeitado. A organização e a dinâmica atual do evento, muitas vezes condicionadas pela gestão acabam por limitar a nossa atuação, impedindo-nos de mostrar plenamente o resultado do nosso empenho e dedicação. Em várias ocasiões, somos obrigados a encurtar atuações, acelerar desfiles ou adaptar a performance de forma que prejudica a qualidade artística e a essência do trabalho desenvolvido ao longo de meses.
A Madeira tem, com orgulho, alguns dos melhores músicos percussionistas e cantores de Portugal. Sendo o nosso Presidente um apaixonado pela a música sabe perfeitamente do que falamos!
Para nós, é impensável passarmos a tocar por baixo de música ambiente, ou outro tipo de música, derivado a escolha da Secretaria Regional de Turismo em relação ao sistema de som e do seu formato. Assim, é nós impossível apresentarmos o nosso trabalho, com a agravante do facto de sermos obrigados a não fazer música ao vivo para todo o público e em alternativa sermos uma espécie de playback.
Compreendemos a importância do turismo para a economia regional e reconhecemos o valor que o Carnaval tem enquanto evento de projeção internacional. No entanto, é essencial encontrar um equilíbrio que permita preservar a autenticidade cultural e valorizar os grupos locais que são, na verdade, o coração do espetáculo que atrai tantos visitantes.
Assim, apelamos a uma reflexão séria sobre a organização do Carnaval, no sentido de:
Valorizar e dar maior protagonismo às baterias e grupos participantes;
Garantir condições adequadas para a apresentação integral das performances;
Respeitar o trabalho artístico e o tempo de preparação investido;
Promover um Carnaval que não seja apenas orientado para o turismo, mas também para a cultura e para aqueles que o constroem.
O Carnaval da Madeira é uma manifestação cultural de enorme relevância e orgulho regional. No entanto, sem a devida valorização dos seus intervenientes, corre-se o risco de transformar uma tradição viva num espetáculo meramente turístico, esvaziando a sua autenticidade e o seu verdadeiro espírito.
Acreditamos que, com diálogo e sensibilidade cultural, será possível melhorar a organização do evento, valorizando quem trabalha arduamente para manter viva esta tradição.
São 25 anos de carnaval, onde já vivi presenciei e recebi tudo o que de melhor e de menos bom o carnaval tem para oferecer, queremos manter o carnaval vivo, transformar o carnaval no maior cartaz turístico da região e como está camisola que lhe oferecemos, em meu nome pessoal e em nome de todos os músicos e baterias do nosso carnaval pedimos ao Sr. Presidente:
“Não deixa o samba morrer
Não deixa o samba acabar”
Tiago Cró