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Desinformação sobre cólera leva a destruição de 30 casas no norte de Moçambique

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Total de 30 residências de líderes comunitários foram destruídas e sete pessoas detidas no âmbito da desinformação sobre a cólera na província moçambicana de Nampula, norte do país, foi hoje anunciado.

"É de lamentar alguma desinformação que está sendo passada nesses distritos e que resulta em vandalizações das casas dos nossos líderes comunitários. Foram vandalizadas 30 casas, sobretudo em Mussoril, no posto administrativo de Matibane", disse Graciano Francisco, porta-voz da segunda sessão do conselho dos serviços provinciais de representação do Estado.

Segundo o responsável, as destruições de residências de líderes comunitários por moradores no âmbito da desinformação sobre a cólera também ocorrem no distrito de Nacala, onde já foram detidas sete pessoas devido a atos do género.

Em 08 de fevereiro, as autoridades sanitárias na província moçambicana de Nampula, norte do país, admitiram que a desinformação sobre cólera é uma barreira no combate à doença, com as comunidades a perseguirem e a apedrejar os agentes que trabalham na sensibilização.

Moçambique registou mais 117 novos casos de cólera no atual surto, em 24 horas, com um morto, elevando a quase 5.000 infetados desde setembro, com 63 óbitos, segundo dados oficiais a que a Lusa teve hoje acesso.

De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 09 de fevereiro, do total de 4.843 casos de cólera contabilizados neste período, 2.051 foram na província de Nampula, com um acumulado de 24 mortos, e 1.847 em Tete, com 28 óbitos, além de 807 em Cabo Delgado, com oito mortos.

Em menor dimensão, o acumulado aponta para 79 casos de cólera, e um morto, na província da Zambézia, e 59 casos e dois mortos na província de Manica.

Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (09 de fevereiro), foram confirmados mais 117 casos e um morto, em Nacala-Porto, província de Nampula, com a taxa de letalidade geral nacional em 1,3%.

No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.

O atual surto já ultrapassa neste período o número de doentes em metade do tempo do surto anterior.

Moçambique vacinou 1,7 milhões de pessoas contra a cólera em cinco dias de campanha em quatro províncias, superando a meta antes prevista, anunciou na terça-feira o Governo, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em cinco dias de campanha, foram vacinadas 1.790.410 pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, no norte, e Sofala e Zambézia, no centro de Moçambique, correspondendo a 102% da população inicialmente anunciada.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas", disse então Inocêncio Impissa.